Mal começou o ano de 2014 e em minhas andanças pela cidade sou indagado sobre a possibilidade de uma nova greve a ser deflagrada pelos sindicatos que representam certa parcela do funcionalismo municipal. Exatamente: a balela da greve voltou.

Particularmente, como tenho dito sempre, sou contra qualquer tipo de greve no setor público, pois creio que ela pune o cidadão e não o patrão. Isto sem contar que aqui em Araucária o último movimento deste tipo foi um fiasco e, o mais chato, acabou antes de sabermos se ele era legal ou ilegal.

É óbvio que a patrulha sindical gritou aos quatro ventos que o movimento foi um sucesso, mas aqueles capazes de raciocinar um pouco, sabem que tudo não passou de uma balela. Afinal, parte dos servidores ficou parada por mais de dez dias e depois voltou ao trabalho com o rabo entre as pernas sem um acordo que representasse muito mais do que a promessa que eles já tinham antes do início da paralisação, ou seja, pagamento do reajuste no primeiro quadrimestre de 2014 e a regularização das progressões tão logo a lei permitisse, o que não tem data para acontecer. De diferente disso, os paradistas só conseguiram ter os dias que gazearam o serviço anistiados, o que considero um crime com o cidadão pagador de impostos desta cidade. No caso dos professores, faço aqui uma ressalva, houve a necessidade de reposição de aulas, o que foi feito, mas daquele jeitinho araucariense.

Enquanto morador de Araucária desde há mais tenra idade, apaixonado por esta terra, fico preocupado sempre que ouço a “balelisse” da greve, pois não vejo nesses movimentos uma preocupação efetiva na melhoria do serviço público prestado a população. É claro que pedidos desse tipo sempre estão lá na lista de reivindicações, mas só – creio eu – para encher linguiça. O que define mesmo o início e o final dessas negociações entre patrão e empregado são as vantagens pessoais, nada mais. Os socialistas de araque, na verdade, são apaixonados pelo vil metal e que se dane a coletividade. Prova disso é que o burburinho de nova greve acontece justamente porque as tais progressões não foram pagas e não porque faltam medicamentos nos postos de saúde ou porque o novo prédio da Escola Pedro Biscaia, por exemplo, ainda não foi construído e os alunos são obrigados a ter aulas numa estrutura precária.

Também me preocupa a incapacidade dos que governam esta cidade de tratar de forma meritocrática os servidores públicos municipais. Já passou da hora de implantarmos ferramentas sérias capazes de auferir a capacidade dos funcionários da Prefeitura, oferecendo vantagens aos bons e convidando os ruins a se retirar. Para fazer isto, no entanto, a própria administração teria que adotar os mesmos mecanismos para se auto-avaliar, o que não me parece a disposição dos que estão no comando atualmente. Logo, enquanto eles brigam a população – coitada – sofre e fica com as migalhas!

Censura
É triste quando as pessoas não conseguem conviver com a diversidade de opiniões. É mais triste ainda quando essa incapacidade é manifestada justamente por uma classe composta por sujeitos letrados, cuja missão deveria ser a defesa do livre pensamento, do despertar crítico e assim por diante. Digo isso porque acabo de saber que o Sismmar, sindicato que representa o magistério municipal, quer me calar. Judicialmente, eles pedem – pasmem – que eu deixe de veicular qualquer tipo de informação, que possa denegrir a imagem da entidade ou dos professores. É a censura, tão combatida por muitos educadores decentes e honrados desta cidade ao longo de suas carreiras, tentando ser praticada contra um cidadão araucariense.

Aos amigos, inimigos e “turma do nem aí” que lêem meus artigos semanalmente, reassumo um compromisso que selei primeiro com os excelentes professores que tive na rede pública de ensino: o de nunca deixar de escrever aquilo que penso, de exercitar com plenitude o direito à liberdade de expressão garantido pela Constituição de meu país. Compromisso este, diga-se de passagem, que num segundo momento, também selei com os péssimos educadores que tive ao longo de minha vida acadêmica, afinal é preciso lutar para que esses deixem de prejudicar anualmente milhares de alunos que sentam nos bancos escolares de Araucária. Então, aos censores sindicais, só tenho a agradecer, pois a atitude deles é prova de que estou no caminho certo.

Comentários são bem vindos. Até semana que vem

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