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O ano de 2020 está sendo um ano muito diferente de tudo o que já vivemos. Neste ano estamos aprendendo muitas coisas que nem imaginamos que aprenderíamos em toda a nossa vida. Desde o começo do ano fomos surpreendidos por uma pandemia que virou a nossa vida de cabeça pra baixo. E dentre as várias reviravoltas, uma bem grande foi com relação às atividades escolares presenciais que foram interrompidas e substituídas pelo ensino remoto.

Afinal de contas, o que é esse ensino remoto? Com a necessidade do afastamento social e escolar desde março deste ano, todos fomos obrigados a ficar em casa e evitar aglomerações, como as constantes nas Unidades Educacionais, onde em cada sala de aula permanecem juntos e misturados mais de 20 pessoas durante uma boa parte do dia. Apesar do afastamento físico obrigatório, o direito à educação não foi cancelado, como muitas das nossas atividades. E, desta forma, as crianças e estudantes devem ter esse direito preservado. Mas como fazer isso sem colocá-las em risco de contaminação e transmissão do vírus que se espalha sorrateiro e rapidamente? A resposta é simples: oferecendo para elas as atividades escolares para que sejam realizadas na segurança de seu lar.

É a melhor forma de garantir que a educação seja oportunizada para todas as crianças? É óbvio que não. O que mais queremos como educadores é ter as crianças e estudantes novamente conosco, dentro do universo escolar, entretanto, a segurança de todos, neste momento é mais importante que a exigência da frequência física na escola. Contudo, a manutenção do vínculo educacional e a mediação de adultos mais experientes, como são os professores e os responsáveis por cada criança é fundamental para que a Educação aconteça em sua grandiosidade.

Por conta disto, os professores passaram a organizar as atividades que foram sendo enviadas para as casas de cada uma das crianças e estudantes matriculadas nos CMEIS e Escolas do município, além disso, alguns professores iniciaram um diuturno acompanhamento virtual de seus pupilos, tentado a toda forma mediar a aprendizagem de cada criança.
Neste ponto, vale a pena destacar que a figura familiar assume um papel de destaque em parceria com os professores na mediação mais próxima de cada uma das crianças e estudantes. As famílias, representadas muitas vezes pelas mães, pais, irmãos, tios, avós, primos, responsáveis, são agora até mais cruciais para que o processo de aprendizagem das crianças continue a acontecer.

Essa importância é observada não somente na necessidade de busca e entrega das atividades nas Unidades Educacionais, mas também no acompanhamento diário da realização das atividades pelas crianças.

Tarefa fácil? Lógico que não. Foi preciso fortalecer um hábito de estudos em casa que nunca foi preciso acontecer. Foi necessário promover o universo do conhecimento que nunca foi obrigatório para a maioria dos pais, mas é importantíssimo que todos acreditem que esse papel é fundamental para que as crianças continuem a avançar no seu desenvolvimento e aprendizagem.

Sabemos que não é nada fácil fazer com que as crianças tenham sempre vontade de realizar o que a escola encaminha, mas somente assim eles avançarão e aprenderão pontos fundamentais para as vidas de cada um deles. A aprendizagem acontece de forma mais natural quando cada criança realiza o que consegue, faz as atividades propostas e pratica constantemente.

Não é necessário fazer tudo com perfeição. Aquilo que cada estudante conseguir fazer é suficiente para que os professores consigam organizar seu trabalho e possam continuar encaminhando atividades que cada indivíduo precisa fazer. Por isso é importantíssimo que os responsáveis continuem buscando e entregando os materiais em cada unidade, que cada responsável continue auxiliando as crianças em suas necessidades e dificuldades, e, quando isso não for possível, saiba que pode procurar os professores e educadores, pois com certeza todos estarão dispostos a auxiliar no que for necessário. Quando voltarmos para a normalidade, veremos com cuidado o que será necessário fazer para cada criança dentro do que for preciso. Serão realizadas avaliações para detectar de onde precisaremos partir ou retomar e neste momento com certeza, a os auxiliaremos para um maior conhecimento.

Não se estressem tanto com as atividades escolares das crianças em casa. O importante é saber que o que estão fazendo pelas crianças é o melhor que vocês podem fazer, não é necessário ser perfeito se estamos dando o nosso melhor. E tenham a certeza que o melhor de cada um de vocês e de cada um de nós está sendo oferecido para nossas crianças e estudantes, afinal como diz um texto de autoria desconhecida que circula pela internet: “Não há crianças avançadas. Não há crianças atrasadas. [Elas] estão exatamente onde precisam estar. Deixem que a aprendizagem a gente cuida depois! [Afinal] somos professores e esse é nosso superpoder”.

Publicado na edição 1233 – 08/10/2020

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