Toda quarta-feira, há quase um ano, atendo o compromisso de preparar minha coluna para “O POPULAR DO PARANÁ” e logo que termino vou deixar o lixo para que os valentes e importantes trabalhadores da limpeza pública levem-no na manhã seguinte. A limpeza pública é tão fundamental, que basta ver o lixo que cidadãos sem consciência descartam nos locais públicos, para percebermos a catástrofe que seria o lixo todo espalhado. Observando as belas margens das rodovias e estradas rurais de Araucária e mesmo os lotes urbanos, o leitor vai comprender o tamanho do problema apontado. Nem é bom imaginar como seria se os descuidados fossem em maior número ou se não dispuséssemos de coleta de lixo. Cuido muito para manter a ordem das tarefas fixas da quarta-feira, pelo respeito que os leitores merecem. É uma grata satisfação ver pessoas que sequer me conhecem pessoalmente lendo minha coluna semanal, como outro dia vi na rodoviária. Ademais, considero a imprensa escrita uma das principais formas de comunicação e difusão de ideias, mesmo nestes dias em que as redes sociais virtuais estão na crista da onda. Na internet, nas TV’s e rádios, percebo que as pessoas emitem ou retransmitem opiniões sobre temas importantes, sem o distanciamento necessário para atender o interesse da cidadania ou sequer seu interesse particular. O debate de ideias e o esclarecimento é fundamental para o avanço do país.

O assunto do momento é a Ação Penal 470, popularmente conhecida como mensalão. As opiniões se dividem principalmente entre os que consideram o episódio como o maior escândalo de corrupção no Brasil e os que veêm nele uma perseguição política ao grupo que se sucede no poder máximo da república há mais de dez anos. Os primeiros tendem a endeusar os que se comportam com uma teatralidade exagerada, como esteios da moralidade nacional. Já os do segundo grupo insistem em não ver que algumas leis foram evidentemente desrespeitadas pelos réus. O ex-prefeito e ex-governador gaúcho Olívio Dutra alerta para o fato de que houve um julgamento baseado no ordenamento jurídico. Por outro lado, as Associações de Magistrados protestam frente a substituição injustificada do juiz executor das penas determinada pelo presidente do STF Joaquim Barbosa, em uma crítica consistente a atuação deste. Confrontando as duas posições, concluo que não é possível simplificar os acontecimentos e acreditar que há uma posição inatacável. Nicolau Maquiavel, célebre pensador político nem sempre bem compreendido ou aceito, já ensinou que o príncipe(autoridade) às vezes não pode comportar-se como o bem intencionado cidadão comum. Sem um certo grau de pragmatismo, sem o lado prático da coisa, a política não pode ser feita, e sem a política nosso mundo estaria muito pior. Precisamos olhar as questões políticas de forma distanciada das paixões e do que idealizamos que deveria ser, para formarmos o juízo correto.

Júlio Telesca Barbosa
Engenheiro Agrônomo

 

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