Acompanhei no último sábado, 14 de dezembro, a inauguração de um Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) no bairro Thomaz Coelho. O prédio ficou bonito, a comunidade estava feliz, os brinquedos e a mobília do local eram novinhas. Enfim, o clima era de alegria. Todos estavam satisfeitos. Eu, porém, estava incomodado.

Não que eu não goste de inaugurações de CMEIs, muito pelo contrário. Acho eles até muito bonitinhos. As paredes todas coloridinhas, os vasos sanitários e as pias menores do que aquelas feitas para os adultos, aquelas criancinhas correndo de lá para cá, todas felizes. E os discursos dos políticos, então, todos sob medida. Enfatizando a importância de zelarmos pelas crianças, oferecendo-lhes educação infantil de qualidade, ressaltando que os pequeninos são o futuro da nação e blah, blah, blah…

O que me incomoda é o fato de que – admitamos – a grande maioria dessas crianças veio ao mundo sem nenhum planejamento de suas famílias. Muitas delas são como eu, fruto de um descuido de seus pais, que, irresponsavelmente, mesmo sem ter condições de oferecer uma vida decente para seus rebentos, não praticaram o sexo seguro e acabaram engravidando. Sem coragem de tomar uma atitude mais drástica e, por nossa legislação, considerada ilegal, esses pais deram sequência a gestação, botaram a culpa em Deus (se Ele quis, vamos criar!, dizem muitos), tiveram seus filhos e vão levando a vida como dá.

Eu sei que as crianças são bonitinhas, principalmente os bebês. Alguns deles dão até vontade de morder de tão fofinhos, mas criá-los dá muito trabalho e, o pior, custam caro. E esse custo não é só para os pais, é também para o Estado e a sociedade como um todo. Olhem só, por exemplo, no caso dos CMEIs, existem hoje mais de três mil crianças na fila por uma vaga. Embora hajam propostas utópicas de que essa fila será zerada, sabe quando isso vai acontecer? Nunca!

Para se ter uma ideia, em 2011 nasceram somente em Araucária 2.249 crianças. Em 2012 esse número foi de 2.285 e neste ano, até agora, 2.186. Estes são dados oficiais do Ministério da Saúde. Enquanto você lê esse texto, mais algum parto deve estar sendo realizado no Hospital Municipal de Araucária (HMA). Ou seja, seria preciso construir cerca de dez creches novas por ano para receber esses bebezinhos lindos, já que com cerca de seis meses eles precisam ir para o berçário para seus pais trabalharem.

É óbvio, eu sei, que nem todos as crianças que nascem em Araucária vão para uma creche pública, mas digamos que a porcentagem seja de 70%: estamos ferrados do mesmo jeito! Eu sei também que anualmente crianças deixam os Cmeis, fazendo com que a fila ande. Mesmo assim, a porta de saída não é tão grande quanto a de de entrada. Logo, o Município segue frito!

Precisamos urgentemente de ações integradas entre as secretarias de Educação, Saúde e Assistência Social focadas no planejamento familiar. É necessário combater a maternidade infantil, que hoje faz com que centenas de crianças araucarienses troquem os bebês de brinquedo pelos de carne, osso e pele rosada. Do mesmo modo, carecemos de uma política séria de incentivo a procedimentos como a vasctomia e a laqueadura, de educação sexual séria nas escolas. Enfim, precisamos fazer alguma coisa.

Boa semana a todos! Comentários são bem vindos. Até semana que vem!
 

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