Para que serve uma audiência de prestação de contas? Em Araucária, pelo menos, ao que parece, ela serve apenas para cumprir o que determina a legislação brasileira. Não há por parte do poder público uma real preocupação com a transparência dos atos públicos ou (sonho meu) vontade de que o cidadão participe do dia a dia da administração pública.
 
Fico com esta impressão sempre que participo destas audiências. Na semana passada, estava no plenarinho da Câmara acompanhando a prestação de contas da Secretaria de Saúde referentes ao primeiro trimestre de 2010. Sinceramente: perdi meu tempo! Aquilo foi uma tremenda papagaiada. Os dados apresentados servem mais para confundir do que para explicar. Aliás, talvez seja este justamente o objetivo.
 
Acompanhei atentamente as apresentações dos vários setores da Secretaria de Saúde. Uma chatice só. Teve departamento que chegou ao cúmulo de colocar quantos ofícios e memorando emitiu nos três primeiros meses do ano. Isto não é prestação de contas, é conversa pra boi dormir. Sem contar a falta de padronização das apresentações e a incapacidade de alguns coordenadores ou diretores de departamentos de conseguir serem claros em suas falas.
 
Com tamanha falta de organização, tivemos uma audiência com muito conteúdo e pouca qualidade. Tanto é que terminada a fase chata (a das apresentações) quase ninguém debateu os dados mostrados. Afinal, como um cidadão comum vai questionar a quantidade de ofícios emitidos por determinado setor? Ou questionar as despesas empenhadas e liquidadas pela Secretaria de Saúde? Isto quando não tentam nos enganar, dizendo, por exemplo, que não foram contratados médicos porque não havia índice para tal na folha de pagamento da Prefeitura em 2009, o que não é verdade.
 
Diante de uma apresentação tão pouco esclarecedora, não resta alternativa para a maioria dos presentes do que fazer cara de paisagem, fingir que entendeu, que os números apresentados estavam corretos e ir embora pra casa.
 
Analisando a audiência como um todo, podemos dizer que quem melhor conseguiu expressar o estado da Saúde em Araucária foi um cidadão “mudo”, que apareceu ao final do encontro reclamando que não encontrou no posto de saúde o remédio para controlar a sua “pressão”: o captopril. Ele foi a salvação daquela audiência de prestação de contas. A sua cara de indignação resumiu com uma precisão impar como andou a saúde em Araucária no primeiro trimestre: nada boa!
 
E você, amigo leitor, o que pensa sobre o estado da Saúde em Araucária? Dê sua opinião e até semana que vem!

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