A tragédia causada pelas chuvas na região serrana do Rio de Janeiro segurou boa parte da minha atenção na semana que se passou. O número de mortes deixado pelo mar de lama que tomou conta daquela área é algo lastimável. Nunca antes na história deste país, um evento da natureza matou tanto.

E foi com muito medo que eu comecei a imaginar o que uma manifestação mais virulenta da mãe natureza poderia causar em nossa querida Araucária. Será que estaríamos preparados para um sinistro como o que atingiu o estado fluminense?

É óbvio que tal conjectura tem que levar em consideração que a região serrana do Rio tem características geográficas completamente diferentes da nossa cidade. No entanto, isto não diminui a importância da minha preocupação.

E digo isto porque sempre que chove por alguns minutos, já temos várias regiões de Araucária que são alagadas pelas águas do Rio Iguaçu ou da própria Represa do Passaúna, invadindo casas e trazendo diversos tipos de transtornos para nossos moradores. Está certo que a maioria das áreas que acabam atingidas por alagamentos são de ocupações irregulares. No entanto, é preciso salientar que as invasões são fruto da omissão do poder público municipal, sendo que agora é preciso que o Estado resolva o problema. Mas, será que isto está sendo feito? Penso que não!

Para se ter uma idéia, levantamento feito recentemente pelo Plano Local de Habitação de Interesse Social (PLHIS) mostrou que existem 54 assentamentos precários na área urbana de Araucária e mais quatro na área rural. É muita coisa! É uma vergonha para uma cidade tão rica como a nossa! É mais uma prova cabal da incompetência dos prefeitos que acomodaram suas bundas na cadeira macia e no gabinete sem goteiras da Prefeitura nos últimos vinte anos. Os moradores destes 58 “loteamentos” irregulares do município estão jogados à própria sorte e a Prefeitura aparentemente não se agiliza para resolver tal situação.

Afinal, ninguém (ou quase ninguém) mora em áreas irregulares porque quer. Essas famílias estão ali porque não tem acesso a crédito imobiliário e é prioritariamente para esses cidadãos que o poder público tem que voltar seus olhos quando pensa em política habitacional.

Lembro-me, por exemplo, que em setembro de 2009, o prefeito e seus asseclas receberam representantes da COHAPAR no salão nobre da Prefeitura e alardearam que até o final de 2010 cerca de seis mil famílias seriam beneficiadas em Araucária com a construção de mais de mil casas (1.190 para ser exato). Porém, lá se foi 2010 e nada ainda. Nem uma única casa prometida foi erguida. Nem mesmo a remoção de 174 famílias das sabe-se lá quantas que residem hoje no jardim Arvoredo, foi feito pela Prefeitura. E olha que o dinheiro para isso veio do Governo Federal há algum tempo. São ou não um bando de incompetentes?

E, você, amigo leitor, o que pensa sobre o assunto? Deixe seu comentário. Até semana que vem!

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