O livre arbítrio exige constantes decisões e sabemos que nossas escolhas nos levarão a caminhos de alegrias e percalços que lhes são próprios, inerentes a qualquer viagem. O destino final do caminhante, ou a informação de destino recebida no início, nem sempre é o mais significativo da jornada. Boa parte das metas que sonhamos conquistar para nós, para a comunidade ou para o planeta, somente serão alcançadas após várias gerações. Por óbvio, se escolhermos o caminho que muitos dizem e que nosso bom senso mostra que vai direto ao abismo não poderemos esperar uma viagem rápida e alegre. Se for rápida, a alegria terá durado pouco e se for demorada a certeza do mau desfecho turvará, sempre mais, a beleza do caminho. Disse Mário Quintana que “Viajar é mudar a roupa da alma” e certamente o poeta gaúcho que não se referia apenas as distâncias percorridas geograficamente. A convivência, os pensamentos, as atitudes e posições definem nossa jornada existencial, quer estejamos ou não em deslocamento físico. Tais pensamentos me ocorrem com o assombro produzido pelo intenso festival de indicações e palpites quanto aos caminhos que devemos seguir enquanto povo e nação. É impressionante que muitas pessoas, por vezes sem refletir sobre as informações que estão disseminando, adotem posições tão extremadas e emitam opiniões radicais sobre situações que só conhecem de ouvir falar. Parecem esquecer que nenhuma sociedade conseguiu atingir patamar considerável de desenvolvimento, mesmo não considerando só o parâmetro da riqueza econômica, sem ter sólida organização social. A que conhecemos não prescinde da existência das estruturas de governo em seus diferentes níveis. Há uma verdadeira invasão de bléquibloques nos meios de informação e é preocupante a quantidade de orientações erradas que são fornecidas ao cidadão que terá que optar por um caminho, neste ano de eleição presidencial. Não podemos desejar a censura ou a limitação do direito de noticiar os fatos, mesmo que a opinião do noticiante seja tendenciosa. A liberdade de expressão é a matriz das sociedades democráticas e valor maior a ser cultivado, pois permite a manifestação do contraditório. Sempre que se tentou instalar o pensamento único a catástrofe social foi inevitável. A população, na hora certa e ao chegar ao local de cruzamento das estradas, escolherá o caminho a seguir. É uma grande lição de democracia que o Brasil vem dando ao mundo e que vem nos consagrando como a nação de um povo alegre, mesmo com tantos problemas ainda clamam solução. Não devemos nos contaminar pelas vozes dos que só vêem aspectos negativos e que desqualificam a tudo e a todos. As cores alegres e o conforto da roupa que usamos na viagem são decisivas das alegrias do trajeto e na conclusão da caminhada. É preciso evitar as indicações erradas, para analisarmos e decidirmos com responsabilidade e compromisso.

Júlio Telesca Barbosa
Engenheiro Agrônomo

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