Na semana passada o país viu a Câmara dos Deputados cassar o mandato do deputado Natan Donadon, aquele que outrora havia sido livrado de tal destino pelo mesmo parlamento. Donadon, como se sabe, cumpre pena no Presídio da Papuda, em Brasília, após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a treze anos de cadeia por peculato e formação de quadrilha.

A grande diferença entre a primeira e a segunda análise da cassação do deputado presidiário foi o modo como seus pares tiveram que manifestar seu voto. Antes isso foi feito de forma secreta e na semana passada de forma aberta. Ou seja, quando ninguém sabia como nossas excelências votariam muitos deles praticaram a traquinagem de livrar o bandido. É a prova cabal de que a transparência faz bem para nossa democracia.

Está bem, agora esqueçamos Brasília! Voltemos a Araucária, onde o parlamento é representado por nossos vereadores. Aqui, a Câmara está por analisar como irá agir com relação a um pedido feito por um partido local acerca da necessidade de investigação de contratos emergenciais firmados pelo Município. Ora, o tema nem é tão grave quanto o da cassação de Donadon e mesmo assim já ouvi algumas pessoas dizendo que os edis só investigarão o caso se houver apelo popular, se as pessoas encherem o plenário da Câmara pedindo a apuração e assim por diante.

Ora, guardadas as suas proporções, nossos representantes estão agindo da mesma forma que os deputados federais no caso do deputado presidiário: só vão fazer o seu trabalho se houver plateia, pressão e assim por diante. Isso não é aceitável! Os edis têm que investigar os tais contratos emergenciais e ponto, pois é o trabalho deles. É para isso que os pagamos. E pagamos muito bem!

Contas feitas recentemente pelo O Popular mostram que cada vereador custa ao pobre cidadão araucariense R$ 7 mil por dia. Exatamente: 7 mil! É muita grana! E é justamente por isso que eles não podem querer plateia para fazer o trabalho, mesmo que essa investigação, ao seu final, constate que não houve nenhum tipo de ilegalidade na celebração dessas dispensas de licitação. Aliás, se for esse o resultado da apuração, que bom para o Município. Então, fica o pedido aos nossos nobres representantes: não sejam omissos, pois a omissão é crime! Honrem os votos que receberam e não queiram fazer de nós araucarienses a plateia para um espetáculo, que, às vezes, parece só de negociações nada republicanas.

Comentários são bem vindos. Até semana que vem!

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