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Filme “Corpos Celestes” é exibido no Portland Festival

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Filme “Corpos Celestes” é exibido no Portland Festival
Através de uma história de amor, filme foca o antigo confronto entre o intelecto e a emoção, entre a razão objetiva da ciência e a sensibilidadeFilme “Corpos Celestes” é exibido no Portland Festival

Alguns o referenciam como a sétima arte, já outros veem o potencial do cinema como único, é o encontro de todas as formas de expressão. Música, fotografia, dança, pintura, escultura, fatos reais, ficção, diálogo de luta de classes, amostras dos nossos questionamentos internos, tudo cabe ali, com a delicadeza da junção de nossas diversas vozes. Podemos talvez dizer então que Araucária foi uma pintura, um belo cenário que contemplou os anseios, as motivações e a história dos personagens do filme “Corpos Celestes”, que teve algumas cenas gravadas aqui na nossa cidade em 2006. E daqui voou para longe, o filme foi exibido no Paraná, no Brasil e o reconhecimento foi parar no Estado Americano de Oregon onde, nesses últimos dias, de 12 a 18 de outubro, o longa-metragem paranaense foi exibido no Portland Latin American Film Festival, sendo o único filme brasileiro selecionado para o evento.

Dialogando entre o antigo embate entra as duas visões de mundo – filosófica x pragmática – o filme conta um pouco da busca de Francisco (Dalton Vigh) que, marcado por um fato em seu passado, ao qual deve sua prolífica carreira, o astrônomo, entre a insignificância do homem e a imensidão do Cosmos, terá de aprender a lidar com um surpreendente mistério: seus sentimentos por Diana (Carolina Holanda), uma moça bem à vontade com seu lugar no Universo.

Dirigido por Fernando Severo e Marcos Jorge, “Corpos Celestes” passou por um curioso processo de criação. O filme tem origem em duas diferentes estórias escritas por Marcos, enquanto vivia na Itália, na década de 90; quando Fernando leu os roteiros, percebeu que ambos dialogavam muito bem e então, junto com o amigo, começou a estabelecer possíveis conexões entre o protagonista e as estórias. O processo resultou em uma criação coletiva: “Cada um dos editores e dos roteiristas trouxe uma bagagem própria marcada em suas realizações, o que vivenciamos anteriormente. Juntar toda essa gente talentosa, criativa e cheia de conhecimento só podia resultar em um final muito bom”, relembrou Fernando.

Corpos Celestes foi filmado em cinco diferentes cidades: Curitiba, São Paulo, Castro, Piraquara e Araucária, em mais de 20 diferentes locações. Como conta o diretor, embora, inicialmente, um dos argumentos do filme tenha sido pensado na Itália, no final dos anos 90, o processo de transição do roteiro para o Brasil no período atual foi tranquilo: “O alcance maior do filme estava nos personagens e não no local. Já tínhamos muito claras as referências de lugares para as gravações, o produtor de locação fez uma triagem e visitamos vários locais. Em Araucária gravamos em um Armazém lindíssimo, aparece muito no filme, foi uma cidade muito boa de filmar, contamos com a participação de muitos figurantes”, relembra Severo das cenas gravadas no restaurante Alban e no Empório Campo Redondo.

Aproveitando a erupção da produção local, o diretor conta que usar cenários paranaenses era um dos objetivos do filme: “A gente queria muito que tivesse a cor local, pegamos elementos do nosso estado que não são comuns na filmografia nacional, como nossos casarões, e também cenários mais contemporâneos, como na Universidade Federal do Paraná”. Como completou o diretor, o filme não teve mostragens específicas nas locações de suas filmagens, porém é possível assisti-lo em algumas exibições no Canal Brasil e logo também deve ser lançado em DVD.

Produção Paranaense
O cinema paranaense passa por um momento de explosão, a produção no estado está se fortalecendo e nossos filmes estão começando a quebrar a soberania cinematográfica do eixo Rio de Janeiro – São Paulo. “Acho muito importante nossas conquistas, estamos mostrando que a produção do país não está só nesse eixo, é o aval de qualidade do cinema paranaense. Estamos em um momento excepcional”, reflete Severo. E os argumentos do diretor não são somente por conta da seleção do “Corpos Celestes” para Portland, mas por toda erupção do cenário: Atualmente, dois filmes estaduais estão nas telas do cinema, “Curitiba Zero Grau”, dirigido pó Eloi Pires Ferreira, e “Circular”, dirigido por Adriano Esturilho, Aly Muritiba, Bruno de Oliveira, Diego Florentino e Fábio Allon. “Isso serve de incentivo para que as pessoas vejam mais nosso cinema”, ressalta.

Luciane Pinho Bertolli, Diretora Regional do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Cinematográfica e do Audiovisual, explica que, apesar da movimentação, ainda não temos uma balanço numérico de como está a produção audiovisual no Paraná: “Não temos um mecanismo de controle ainda. Só depois de assinada a Convenção de Trabalho que as produtoras deverão apresentar ao Sindicato os contratos de trabalho firmados com os trabalhadores, daí sim poderemos quantificar estas produções. Quem desenvolveu um censo da produção paranaense foi a AVEC, Associação de Vídeo e Cinema do Paraná. Talvez eles tenham números para apresentar”, explicou, porém, até o fechamento da edição, não conseguimos retorno com as informações da AVEC. Confiante, Patrícia acredita no crescimento e organização do setor no Estado: “Nós estamos no início dos trabalhos no Paraná e já temos filiados mais de 50 profissionais, porém nossa representatividade é sobre o total de trabalhadores no estado, mas também não se pode afirmar um número exato por enquanto, pois os trabalhadores precisam fazer o registro profissional junto ao Ministério do Trabalho e Emprego, e este é um processo que está parado por questões internas do próprio TEM”, finalizou.

Será que pode dar Oscar?
Confirmando a ebulição do cinema estadual, o site de referência em cinema mais importante e consultado do mundo, o IMDB, aposta no curta paranaense “A Fábrica”, escrito e dirigido por Aly Muritiba, como um dos prováveis cinco indicados ao Oscar 2013 na categoria curta de ficção (que eles chamam de Live Action). O curta conta sobre um presidiário que convence sua mãe a arriscar a própria segurança para levar um aparelho celular para ele dentro da penitenciária. O filme foi selecionado (entre 440 trabalhos) para a final da categoria “Mostra Competitiva de Filmes de Curta Metragem” que ocorreu em setembro de 2011, revelando-se um dos destaques deste festival ao receber os seguintes prêmios: Melhor Roteiro, Melhor Atriz (para Eloína Duvoisin) e Melhor Filme do Júri Popular. Também foi premiado como melhor filme de ficção no Festival da Coréia do Sul, além de ser selecionado para o Festival de Clermont Ferrand (o mais importante festival internacional na categoria curta-metragem). Ao todo, foram 30 prêmios que a produção recebeu em vários festivais que concorreu.