O pensador colombiano José Bernando Toro, especialista em desenvolvimento social na América Latina, afirma que uma sociedade se torna coesa e se projeta de maneira sustentável para o futuro quando é capaz de entender quais são os desafios que deve superar coletivamente. Trazendo essa afirmação para a comunidade araucariense, percebemos que temos um baita desafio. Por anos e anos, gestão após gestão, a população foi acostumada a se preocupar apenas com seu umbigo, com seus problemas pessoais e as causas coletivas foram sempre relegadas a um segundo plano.

A regra sempre foi a de melhorar primeiro a frente da minha casa e, se der e sobrar um pouco de recursos, a do vizinho também. Isso sempre aconteceu por conta da abundância de dinheiro que sempre entrou nos cofres públicos. Um bom (ou péssimo) exemplo disso são os itinerários dos ônibus de Araucária (veja matéria em nossa página 4). Na hora de definir os roteiros a decisão dificilmente era técnica, pois sempre houve um político ou um morador mais influente que conseguiu fazer com que o ônibus passasse bem na frente da casa dele. Com isso, roteiros que deveriam ter 25 ou 30 quilômetros acabassem virando caminhos de rato com mais de cinquenta. A população de uma maneira geral nunca entendeu que, se cada um andasse uma quadra o município poderia fazer uma economia no gasto com ônibus que daria para reformar uma creche ou trocar a viatura da Guarda por uma mais rápida, ou mesmo melhorar os equipamentos do ambulatório de odontologia do postinho do bairro. Do mesmo modo, prefeito algum tentou difundir essa ideia. Preferiram seguir na mesma toada, já que sempre foi assim que as coisas aconteceram.

Mas vivemos uma realidade aonde essa atitude individualista por parte da população e assistencialista por parte dos gestores, não pode mais continuar. O prefeito, este e os próximos, tem a trabalhosa missão de começar a mostrar para as pessoas o todo. Como é trabalhar de olho no coletivo (e não é trocadilho com o ônibus), ensinar cada morador a ceder sua parte para que o todo seja melhor e mais econômico do que é hoje. Essa mudança, se começar hoje, deverá levar muito tempo. O problema é que ainda estamos longe de nossos gestores entenderem esta missão. Pense nisso e boa leitura.
 

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