Médicos sem salários e pacientes sem atendimento médico colocam instituição à beira do caos

O único hospital do município de Araucária, o São Vicente de Paulo, está passando por uma grave crise financeira, que está deixando médicos sem salários e pacientes sem atendimento. As dificuldades não vêm de hoje, mas somente agora é que os problemas começaram a vir à tona. Esta semana, toda a equipe de anestesistas pediu afastamento e os médicos da Obstetrícia também estão ameaçando abandonar os serviços.

O obstetra Artur Carneiro Bergman disse que não recebe honorários do SUS desde setembro do ano passado. “Fomos agüentando a situação, mas agora que os anestesistas saíram, não temos como atender as gestantes, seria muito arriscado”, comentou o médico. Uma gestante que está no oitavo mês de gravidez e que preferiu manter seu nome em sigilo, disse que está fazendo o pré-natal no hospital e teme entrar em trabalho de parto e precisar de uma cesárea. “Já imaginou como vai ser se eu tiver que tomar uma anestesia? Tenho muito medo que aconteça algo com o bebê”, disse.

Situação crítica
A presidente da Cooperativa dos Médicos do Hospital São Vicente de Paulo – Co­omar, Dra. Cristiane Panki­evicz, comentou que existe um convênio entre o hospi­tal e a Prefeitura, mas enquanto ele não sai do papel, a situação do hospital vai piorando a cada dia. “Já estava difícil e agora está ficando insustentável, porque a instituição não pode aceitar pacientes sem ter condições. Os médicos não recebem salários e a Prefeitura parece não estar se empenhando muito em nos ajudar. Se não bastassem os médicos não receber salários, os funcionários também estão com medo de perder seus empregos. Os anestesistas saíram e não tivemos como obrigá-los a trabalhar, pois o hospital não tem dinheiro para pagar seus honorários”, pontuou a médica.

Soluções começam a surgir
Para tentar resolver parte do problema do Hospital São Vicente de Paulo, a Pre­­fei­tura de Araucária, através da Secretaria Municipal de Saúde, encontrou uma solução emergencial: contratou uma equipe de aneste­sistas que fará plantões durante uma semana.“Fizemos um contrato de emergência para poder contratar estes profissionais. Mas o contrato entre a PMA e o Hospital, no valor de 12 parcelas mensais de R$ 55 mil, já está pronto, faltando apenas a assinatura da diretora da instituição, que deve retornar de viagem logo após o Carnaval.

Com isso, o dinheiro será liberado e parte do problema poderá ser resolvido”, explicou a diretora técnica da secretaria municipal de Saúde, Sandra Vianna. A médica salientou que a Prefeitura está fazendo o que pode para ajudar o hospital e que o contrato foi viabilizado com o intuito de melhorar o atendimento à população, pois o hospital é privado e quem tem obrigação de mantê-lo é a sua entidade mantenedora. “Esta­mos fazendo tudo isso porque a população merece uma satisfação do que está acontecendo”. Lembrou ainda que a PMA já paga a equipe de ginecologistas e que o dinheiro do contrato só não foi repas­sado ao hospital porque sua liberação depende de trâmites legais. O secretário municipal de Saúde, Josué Kersten, acrescentou que este contrato é uma renovação de um acordo que já existia entre as partes. “Tivemos que fazer outro contrato porque a instituição não estava atendendo as formalidades exigidas pelo Tribunal de Contas, ou seja, o dinheiro era repassado pela Prefeitura, mas o hospital não fazia a prestação de contas.

O repasse deveria ser utilizado exclusivamente para o pagamento dos médicos, e isso não estava acontecendo, pois o dinheiro era usado para outros fins”, disse. Josué comentou também que “é uma vergonha que os pacientes de Araucária, principalmente as gestantes, tenham que buscar atendimento médico em outras cidades, sendo que aqui existe um hospital equipado para isso”. Procurada pela reportagem do Jornal O Popular do PR, a direção do Hospital São Vicente de Paula disse que não vai se pronunciar sobre a crise financeira que está afetando a instituição.

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