A capacidade do ser humano agir conforme sua vontade e escolher os caminhos que irá ou não trilhar tem sido uma questão central para a filosofia, para a religião e mais recentemente para a ciência. A primeira vista tal questão pode parecer de simples resposta, o que não diminui sua importância. Vivemos em um mundo onde o conhecimento amplia-se a passos largos, mas grande parte de nosso tempo é gasta com as coisas do dia-a-dia. A maioria da população não nasceu em berço de ouro e tem uma série de cobranças que lhe são impostas desde a infância como parte essencial da sobrevivência em sociedade e que consomem boa parte do tempo disponível. Não menos importante que a base material para a subsistência, a preocupação com nossas ações e com os reflexos delas originados é fundamental para uma existência profícua. Os que defendem as doutrinas baseadas no Determinismo acreditam que as vontades e escolhas humanas são causadas por ocorrências anteriores, alheias a vontade de livre escolha. Mesmo sem o estudo aprofundado devido à tão importante questão, a qual é mesmo bastante complexa, acredito que somos capazes de fazer a maioria das escolhas em nossas vidas. Penso ainda que a soma das vontades das pessoas imprime o rumo à cidade, ao país, às regiões e ao próprio planeta que habitamos. E esta soma de vontades é que formata a sociedade, suas regras, exigências e padrões. Recentemente, por exemplo, a Índia juntou-se ao reduzido grupo das nações que detém tecnologia para enviar um foguete ao planeta Marte. Isto ocorreu mesmo havendo naquele país um abismo dos mais profundos entre as diferentes camadas sociais que o compõe, pois quase um terço dos seus mais de um bilhão de habitantes vive abaixo da linha da pobreza. É inegável a capacidade técnica demonstrada pelos indianos. Porém, não seria socialmente mais justo minorar o sofrimento de parcela tão expressiva de seu povo? Acredito que agirmos com consciência individual e coletiva da responsabilidade de nossas escolhas para a construção de um mundo melhor, realmente é o que nos cabe. E mais, a qualidade de vida em nosso país somente será adequada quando todos, população e dirigentes, tivermos consciência dos reflexos advindos de nossas escolhas.

Júlio Telesca Barbosa
Engenheiro Agrônomo

 

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