Aprendi certo dia (ou melhor, com um certo Dias) que na elaboração do orçamento de uma cidade as receitas devem sempre ser programadas para atender prioritariamente as despesas com: 1°) pessoal e encargos sociais; 2°) custeio administrativo e operacional; 3°) pagamento de amortizações e encargos da dívida; 4°) precatórios judiciais; e 5°) contrapartida das operações de crédito. Só após isto é que um Município pode programar recursos para atender novos investimentos.

Trazendo para uma realidade familiar, é como se disséssemos que antes de pensar em comprar um televisor novo, é preciso que nos preocupemos em manter as contas da casa em dia. Feito isto e caso tenha sobrado algum tostão, podemos investir na aquisição da TV.

“Tá, mas e daí?”, o leitor pode estar se perguntado. Acontece que é esta regra simples e aparentemente óbvia que os políticos têm dificuldade em seguir. E isto acontece justamente porque “manter a estrutura funcionando” não aparece para o povão. Político gosta mesmo é de fazer novas “coisas” e dane-se em manter funcionando o que já existe.

Acompanhem comigo agora o que está acontecendo em Araucária. Temos uma administração que gasta milhares na compra de mini-netbooks para empregar num projeto educacional de resultados incertos, mas que deixa escolas e creches municipais conviverem com problemas estruturais. Temos um prefeito que gastará uma soma razoável na realização da Festa do Pêssego, mas que não consegue manter os prédios próprios da biblioteca pública, do Museu Tindiquera e do Arquivo Histórico em condições de serem visitados pela comunidade. E estes são apenas alguns exemplos. Há outros e os amigos leitores sabem disso.

Há que se dizer ainda que, considerando o tamanho do orçamento de Araucária, seria possível manter a estrutura funcionando simultaneamente com a promoção de novos investimentos. Estes, claro, condizentes com as reais necessidades de nossa população e não simplesmente para promoção dos interesses nem sempre republicanos deste ou daquele político. Para isto, no entanto, seria necessário um choque de gestão em nosso município, que passaria pela adoção de medidas duras e até impopulares. Resta saber se existe algum político por estas bandas que tope o desafio.

E você, amigo leitor, o que pensa sobre o assunto? Dê sua opinião e até semana que vem.

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