A mais audaciosa proposta feita pelo prefeito Albanor Zezé durante a campanha eleitoral foi entregar um computador para cada aluno da rede municipal de ensino. Vencido o pleito, o tucano começou a por em prática o projeto, fazendo algumas alterações na promessa original. Tais mudanças, diga-se de passagem, frustrarão a criançada, e muitos pais também, além – claro, de corroborar com algo que os mais atentos já sabiam: Zezé mentiu.

Explico: quando fez a promessa, Zezé disse que cada estudante da rede municipal ganharia um mini-notebook para levar pra casa. Garantiu ainda que com o equipamento as crianças poderiam acessar a rede mundial de computadores, o que levou os mais inocentes a acreditar que toda a cidade teria Internet sem fio. E, assumamos aqui, foram justamente estas duas possibilidades que iludiram muita gente. As crianças já se imaginavam, todas garbosas, com seus netbook, sentadas em suas camas, acessando o MSN, o orkut, o twitter e outros tantos sites mais. Tudo ilusão. Nada disso acontecerá.

Desde que Albanor lançou o Um Computador por Aluno (UCA) venho acompanhado etapas do projeto. Penso que a versão do UCA que está sendo realizada, que é muito diferente da que foi prometida, é interessante e seria até necessária para o desenvolvimento dos nossos alunos e inclusão destes na era digital. Mas, como vocês devem ter reparado, eu disse: seria. No entanto, não é! E a explicação é simples. Nossas escolas têm inúmeras, dezenas, centenas de outras prioridades. Logo, inserir um programa tão arrojado como esse em nossa rede é um tremendo desperdício de recursos públicos e mostra o tamanho da miopia administrativa do prefeito e sua equipe da área de educação.

Nossos alunos não precisam de mini-computadores, com joguinhos educacionais. Muito pelo contrário. Elas precisam é de ensino em tempo integral, professores bem preparados, salas de aula adequadas e com menos de 25 crianças dentro. Precisam ainda de merenda bem reforçada, um agasalho bem quentinho para o inverno e um bem fresquinho para o verão. Uma biblioteca com profissionais habilitados, com muitos livros de literatura. Carecem ainda de quadras poliesportivas cobertas, material escolar gratuito e uma grade curricular que respeite seus valores, que seja condizente com os direitos humanos e que prepare para o mundo em que vivemos. Ah, os computadores também são importantes, mas isso a gente resolveria com algumas salas de informática em cada escola.

E você, amigo leitor, o que pensa sobre o UCA do prefeito? Deixe o seu comentário e até semana que vem

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