Recordo que já nos meus tempos de escola existia a tal da semana pedagógica, que antes durava uma semana mesmo. Havia palestra até no sábado e, em alguns casos, as conferências aconteciam até à noite. Nunca entendi direito qual a serventia desses encontros e por que o título do tema central deles era tão extenso. Ainda hoje é assim. Este ano, por exemplo, a temática é “Contribuições do Ensino para Superação das Dificuldades de Aprendizagem”. Palavras pomposas, iniciando sempre em caixa alta, mas que – falando sinceramente – têm pouco reflexo nas salas de aula (sinto que vão querer fazer com que eu me arrependa de ter dito isto).
 
Ora, não sejamos hipócritas, todos nós estamos vendo que a escola vivencia uma crise profunda. Os alunos estão sendo aprovados sem as mínimas condições para avançar à série seguinte. Crianças chegam aos anos finais do Ensino Fundamental sem saber ler e escrever direito. São verdadeiros analfabetos funcionais.
 
As coisas só estão piorando e os professores param para fazer semana pedagógica. Não vai adiantar. Três dias não mudarão os erros de uma política inteira de ensino. A semana pedagógica não é nem um sopro de acerto no meio de um vendaval de erros.
 
E, ao contrário do que certa vez pensei, a culpa disso tudo não é dos professores. Eles são tão vítimas quanto os alunos. Pelo menos por enquanto. A culpa é da mantenedora. É do poder público. Precisamos de mudanças profundas na educação pública. E essas mudanças passam – necessariamente – por outros setores também. Para melhorar a qualidade do ensino será preciso antes melhorar os alunos, as famílias destes e as condições de vida em que ambos vivem. Um ensino de qualidade precisa de um trabalho em rede, que envolva vários setores da administração pública: assistência social, saúde, trabalho e emprego, habitação e outros tantos.
 
E, infelizmente, enquanto o trabalho em rede não acontecer, a semana pedagógica não tem serventia alguma, a não ser gastar dinheiro público, suspender as aulas e distribuir certificados de participação. Eu mesmo tenho três.
 

E você, amigo leitor, o que pensa sobre o assunto? Aproveite que aqui você não precisa erguer o dedo para poder dar a sua opinião e solte o verbo!

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