Em boa parte das vezes que opinamos sobre nossa sociedade temos tendência em destacar o lado negativo das situações e costumamos reclamar da sorte. Por vezes até exageramos neste negativismo, nos imaginamos do lado de fora dos problemas que nos afetam e ficamos apenas cobrando soluções. É verdade, por outro lado, que é difícil compreendermos certas carências que nos afligem. No Brasil, não vemos o gelo cobrir a terra por longos meses e felizmente as catástrofes naturais que ocorrem ficam restritas a algumas áreas do imenso território brasileiro, de maneira sazonal. Mesmo com o crescimento econômico que vem se acelerando, ainda falta muito para que os benefícios da riqueza do país sejam estendidos à grande massa e que nossa sociedade seja realmente justa e acolhedora. O município de Araucária é um exemplo rematado do que estou tentando mostrar: orçamento público per capita em valor elevado e carências próprias de regiões pobres. Ainda assim, temos que ser proativos e continuar tentando dar nossa contribuição para que as coisas fluam de maneira mais aceitável e justa para todos. A sociedade sempre avança e evolui, embora isto não ocorra com a rapidez que queremos e que sabemos ser possível. Uma armadilha constante, armada por aqueles que não querem a mudança, é apontar como “reclamões” os que percebem os problemas da sociedade, mostram-nos e até mesmo tentam apontar soluções que os resolvam, dispondo-se ainda ao debate para aprimoramento de suas ideias. Mais perniciosa que a tentativa de descaracterização das vozes discordantes é a atitude dos que se acreditam paladinos da causa que entendem justa, mas que fogem ao questionamento daquilo que consideram verdadeiro. Seguem repetindo o que pensam e acabam justificando a atitude dos que resistem à mudança e, para não corrigir os rumos que imprimem ao desenvolvimento, usam como justificativa as atitudes antidemocráticas dos que defendem a verdade alegadamente indiscutível.

Mesmo com todos os percalços, a força do debate de ideias na sociedade faz com que a grande massa acabe por cobrar determinadas mudanças para que o progresso social avance. O debate faz o que é realmente importante predominar e que sigamos sempre em frente. Na prática, democracia exige mais esforço do que o simples discurso.

Júlio Telesca Barbosa
Engenheiro Agrônomo

 

VEJA TAMBÉM

Compartilhe