Compartilhe esta notícia

Os Idos, juntamente com as Calendas e as Nonas eram as divisões que os romanos davam aos meses no seu calendário. A frase “Tem cuidado com os idos de março!” está na peça teatral Júlio César, de Willian Shakespeare, e teria sido dita por um advinho ao prever a morte próxima de um dos maiores generais já conhecidos. O assassinato de Júlio César, no ano 44 Antes de Cristo, por um grupo conspiradores em que estavam 60 senadores, marcou o fim da República Romana e, após um período de guerras civis, o surgimento do período imperial. Segundo vários historiadores, o assassinato de César teria sido movido muito mais por vaidades pessoais do que por questões políticas e levou os próprios conspiradores a perderem o status que possuíam. Entre os assassinos estaria o próprio filho adotivo de César, objeto da frase célebre “Até tu Brutus?”, que teria sido pronunciada pelo já moribundo general. No Brasil, a expressão “Idos de março” tem sido citada com frequencia e inclusive é usada como título de diversas obras, pelos acontecimentos de março de 1964 que antecederam ao regime militar. Naquele ano, a agitação social e a conspiração de lideranças civis e militares levaram a deposição do presidente constitucional João Goulart, mergulhando o Brasil em um longo período de repressão e de corte de liberdades individuais e coletivas. Um vigoroso discurso proferido por Goulart na Central do Brasil, em março, levou às ruas mais de 500 mil pessoas em mais uma “Marcha das Famílias com Deus pela Liberdade” pedindo a deposição do governo, o que ocorreria no final do mês com o golpe militar. Embora eu tenha dificuldade em lembrar dos detalhes, pois tinha menos de 10 anos à época, a atualidade remete meu pensamento para aqueles acontecimentos pré-golpe. Boa parte das pessoas que participam de protestos, algumas vezes até as que assumem postos de liderança, parecem não se dar conta do cuidado necessário à preservação da democracia duramente conquistada. Nesta semana, o principal jornal do Paraná publicou, em sua contracapa, artigo onde duas brasileiras pedem a destituição da Presidente Dilma e do Vice-presidente, bem como a dissolução do Congresso Nacional e dos partidos políticos, com intervenção em todos os Governos Estaduais, Municipais e seus respectivos Legislativos, culminando com a intervenção no Supremo Tribunal Federal. Certamente esquecem que é a Democracia, construção à qual tantos se dedicaram e até se sacrificaram, que lhes permite expressar livremente sua opinião. Portanto, cidadãos, lembremo-nos dos “Idos de março” e cuidemos bem da democracia.

Júlio Telesca Barbosa
Engenheiro Agrônomo

 

Compartilhe esta notícia