Eu sei que não sou nenhuma estrela da televisão, autoridade política, ou coisa assim. Mas, gostaria de aproveitar esses cerca de dois mil caracteres (sem espaço) que o editor me cede semanalmente para declarar a todos os araucarienses que aderi a campanha dos “Cem CCs”, lançada pelo O Popular na semana passada. Sem dúvida alguma, esta é uma daquelas iniciativas pela qual vale a pena lutar. E é isto que eu vou fazer. Sairei às ruas pedindo para que meus concidadãos assinem o projeto de iniciativa popular e faça isso por Araucária, uma pobre cidade rica.
 
Amigos leitores, o número de cargos em comissão à disposição do prefeito atualmente é inadmissível. Já era nos tempos do ex-prefeito Olizandro. Foi por isso, aliás, que quando ele limitou a contratação deste tipo de servidor em 7% do número de funcionários efetivos, eu o aplaudi. No entanto, agora que a regra criada pelo ex-prefeito já entrou em vigor, é possível constatar que Olizandro errou na porcentagem. Sete por cento é muito. Quando o prefeito Albanor assumiu a Prefeitura, em janeiro de 2009, o índice possibilitava a contratação de 317 CCs. Com o incremento de funcionários efetivos feitos por Zezé, este número já cresceu e não demorará muito para que o prefeito queira mandar projeto de lei à Câmara criando mais vagas de CCs. E agora me digam: para que serve um comissionado na Prefeitura? Quantos deles são contratados necessariamente por critérios técnicos? Nenhum minha gente! Os CCs são o câncer da administração pública, tanto nas esferas municipal, estadual e federal. Falando especificamente do caso de Araucária, é possível afirmar, sem medo de errar, que comissionados deveriam ser apenas os secretários municipais, diretores gerais e um ou outro assessor especial. Pra ser sincero, penso até que cem vagas é muito, mas trabalhemos com esse número.
 
Raciocinem comigo, a Constituição Federal atribuiu ao poder executivo as tarefas administrativas do Estado, que são contínuas e independem de quem é o prefeito, governador ou presidente, não podendo parar sempre que é feita a troca de governo. É por isso que é inaceitável que tenhamos tantos comissionados, que são de livre nomeação e exoneração do chefe do poder executivo. O raio de atuação de um CC na Prefeitura deveria ser restrito a algumas poucas áreas, mas não é o que se vê em Araucária (aliás, não é o que se no Brasil inteiro). Em nossa cidade, para ficar apenas em dois exemplos, temos CCs trabalhando como motoristas e auxiliares administrativos e ganhando muitas vezes mais do que os salários base de um motorista e de um auxiliar efetivos. É ou não é uma vergonha?
 
Por esses, e outros vários motivos, que ultrapassariam os dois mil caracteres (sem espaço) cedidos pelo editor deste periódico, que eu sou a favor e lutarei com toda a minha insignificância pela redução dos CCs da Prefeitura de Araucária para, no máximo, 100! E, por favor, vocês que ocupam cargos em comissão, não vejam esta iniciativa como uma “CCfobia”. Muito pelo contrário, defendo a redução também porque acredito que todo comissionado deveria ter o direito de fazer um concurso público, passar e entrar pela porta da frente da Prefeitura e não ser “colocado” nas secretarias porque conhece este ou aquele político influente.
 
E, você, amigo leitor, o que pensa sobre o assunto? Dê sua opinião e não se esqueça de assinar o projeto de iniciativa popular pela redução dos CCs. Até semana que vem!

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