Minha formação deu-se toda em escolas públicas, ainda no tempo em que somente iam para as escolas particulares os que pretendiam seguir alguma orientação religiosa. Poucos tinham os recursos necessários para mandar seus filhos para escolas muito dispendiosas e, na maioria das vezes, distantes. Uma das escolas que marcou minha formação foi a Escola Agrícola que frequentei em regime de internato, que permitiu ampla convivência e participação. Pela própria condição de isolamento, entrar em grupos artísticos, folclóricos, no grêmio estudantil, na banda ou em outros grupos que era acessível a todos e apenas escolhíamos aquele que mais atraía. Um dos lemas que vi na época, VIDA É MAIS QUE MOVIMENTO, É PARTICIPAÇÃO até hoje está gravado em minha memória. Ele estava em uma flâmula, que era algo que disputávamos para colecionar ou enfeitar as paredes do alojamento, sem indicar a autoria que até hoje não descobri. Talvez seja uma frase de domínio comum e quero partilhá-la com os leitores para que sirva de ânimo nestes dias de tanta informação, mas também de tantas contrariedades. Às vezes parece que não tem jeito e que as coisas não vão seguir o rumo certo e acredito que o lema da flâmula serve de exemplo. Pode ser que não solucionemos nenhuma grande questão e que tenhamos dificuldade de encontrar saída até para problemas menores que afligem a sociedade. No entanto, a participação realmente leva às mudanças e talvez apenas não consigamos visualizar de forma rápida o resultado que tanto queremos. Para ilustrar melhor, tomemos como exemplo o Programa do Governo Federal intitulado Mais Médicos. Mesmo com toda a mobilização contrária de alguns setores, que ocuparam grande espaço no cenário nacional, o programa foi levado em frente e parte dos médicos já atua nos locais previstos. Com certeza, se o programa segue em frente é porque outros setores da sociedade participaram e deram respaldo à iniciativa, mesmo sem ocupar grande espaço na mídia. Acredito que todos os outros assuntos tem esta influência da opinião das pessoas e temos que nos manter atentos, sempre prontos a debater temas que nos afetam. Se desistirmos da nossa participação, aí é que nada vai mudar mesmo.

Júlio Telesca Barbosa
Engenheiro Agrônomo
 

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