A primavera é uma estação encantadora, o colorido e o cheiro das flores aguçam nossos sentidos. No entanto, é uma estação preocupante para quem sofre com alergias. “Com o florescimento da natureza, uma grande quantidade de pólen é liberada pelas árvores, gramíneas e flores, que são os principais gatilhos para as alergias”, explica o Dr. Rodrigo Hamerschmidt, otorrinolaringologista da Clínica IMA.

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Segundo o médico, as alergias mais comuns nessa época são a rinite alérgica sazonal, causada principalmente pelo pólen de árvores, gramíneas e flores que se espalha pelo ar, com espirros frequentes, coriza, obstrução nasal, coceira no nariz, garganta e céu da boca; conjuntivite alérgica, muitas vezes acompanha a rinite alérgica, sendo também desencadeada pelo pólen, que causa coceira intensa nos olhos, vermelhidão, lacrimejamento e sensação de areia nos olhos; asma alérgica, em pessoas predispostas, a exposição ao pólen e outros alérgenos da primavera pode desencadear crises, com sintomas como tosse, chiado no peito, falta de ar e sensação de aperto no peito; alergia a fungos e mofo, pois as condições de umidade e temperatura da primavera podem favorecer seu crescimento, especialmente em ambientes internos e úmidos, desencadeando sintomas respiratórios; dermatite atópica (eczema), que não é diretamente causada pelo pólen, porém as variações de temperatura, umidade e a irritação geral do sistema imunológico durante a primavera podem exacerbar os sintomas em algumas pessoas, causando pele seca, coceira e inflamação.

“Na alergia, os sintomas aparecem e persistem por semanas ou meses, geralmente na mesma época do ano (primavera), e tendem a melhorar quando a pessoa se afasta do alérgeno (ex: dentro de casa com janelas fechadas). Já no resfriado/gripe os sintomas surgem de repente, duram cerca de 7 a 10 dias (resfriado) ou um pouco mais (gripe), e geralmente não têm um padrão sazonal tão específico ligado a alérgenos como o pólen”, ilustra.

O especialista também diz que na alergia a secreção nasal é uma coriza geralmente clara, aquosa e abundante, e no resfriado/gripe, pode começar clara, mas tende a ficar mais espessa e amarelada ou esverdeada à medida que a infecção avança. “Outros sintomas associados a alergia incluem a coceira intensa no nariz, olhos, garganta e ouvidos. Espirros são frequentes e em sequência e a febre é inexistente. No resfriado/gripe (causados por vírus) a coceira é menos comum ou inexistente. Pode haver dor de garganta, dor no corpo, fadiga e, na gripe, febre alta”, orienta.

TRATAMENTOS

Os tratamentos mais adequados geralmente combinam o controle dos sintomas com a redução da exposição aos alérgenos, podem incluir medicamentos e, em alguns casos, imunoterapia. Entre as medicações indicadas para alívio dos sintomas estão os anti-histamínicos, que podem ser orais (comprimidos) ou tópicos (sprays nasais ou colírios) e ajudam a aliviar espirros, coriza, coceira e olhos lacrimejantes. Alguns causam sonolência, então é bom verificar com seu médico.

São indicados também os corticosteroides nasais, que são sprays que reduzem a inflamação nas vias aéreas e são muito eficazes para controlar a rinite alérgica e os descongestionantes, disponíveis em sprays nasais ou comprimidos, que ajudam a aliviar o nariz entupido. Devem ser usados com cautela e por curtos períodos, pois o uso prolongado pode piorar a congestão.

“Temos ainda os antileucotrienos, como o montelucaste. Eles atuam bloqueando a ação dos leucotrienos, que são substâncias inflamatórias envolvidas nas reações alérgicas e na constrição das vias aéreas; os colírios para alergia, que aliviam a coceira e a vermelhidão nos olhos; a imunoterapia (vacinas para alergia), indicadas em casos mais severos ou quando os medicamentos não são suficientes. Consiste em uma série de injeções (ou gotas sublinguais) que expõem o corpo a pequenas doses do alérgeno, ajudando o sistema imunológico a se tornar menos reativo ao longo do tempo”, cita o médico.

GRAVIDADE

O doutor Hamerschmidt faz um alerta importante quanto às crises de alergia, que se não forem devidamente tratadas, podem levar a condições mais sérias e graves ao longo do tempo. “Podem ocasionar sinusite crônica, otite média, agravamento da asma em pessoas que tem a doença e não controlam as alergias, podendo levar a crises intensas e potencialmente perigosas, que podem exigir atendimento de emergência”, orienta o especialista.

Ele complementa que os principais riscos e problemas que podem surgir com a automedicação incluem o diagnóstico incorreto ou atrasado, já que mascara os verdadeiros sintomas, atrasando o tratamento correto de outras condições respiratórias, como infecções virais, sinusite bacteriana ou até asma, que podem ter sintomas semelhantes aos da alergia.

Edição n.º 1483.

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