A Delegacia da Mulher de Araucária deve concluir nos próximos dias o inquérito que apura a morte de Josefa Ferreira de Araújo Vital, 44 anos. As provas colhidas até o momento permitem – segundo a autoridade policial – concluir que Ezequiel Zacarias Costa, de 44 anos, é o autor do crime.

Ele foi preso em 15 de janeiro na cidade de Viana, no Espírito Santo. Ezequiel estava com a prisão preventiva decretada desde 2 de janeiro de 2026. As investigações mostram que ele matou Josefa em 29 de dezembro de 2025 dentro do apartamento em que morava, na rua Yoshiaki Nagano, no jardim Shangai, bairro Capela Velha.

Após ter matado a companheira com pelo menos um golpe de faca na região do pescoço, ele teria deixado o apartamento, ido até a garagem do condomínio, pego o carro da vítima e fugido para Minas Gerais. Lá, abandonou o veículo e se deslocou até o Espírito Santo. No curso das investigações, constatou-se que Ezequiel estaria tentando encontrar formas de deixar o país. Por esta razão, seu nome foi incluso na chamada lista da difusão vermelha da Interpol.

No entanto, as diligências de inteligência investigativa conduzidas pelo delegado Eduardo Kruger, titular da Delegacia da Mulher de Araucária, lograram êxito em encontrá-lo escondido numa residência no município de Viana. Com o apoio da polícia capixaba, ele foi preso com marcas de corte em ambos os pulsos, o que sugere que ele tenha tentado suicídio.

Ezequiel segue preso no sistema penitenciário do Espírito Santo. Ainda não há certeza sobre quando ele será transferido ao sistema carcerário paranaense. Independentemente disso, os trâmites processuais seguem.

O delegado informou que já colheu o depoimento de Ezequiel. O acusado, no entanto, optou por se manter em silêncio durante todo o ato. A decisão seguiu orientação de sua defesa técnica, feita por advogado particular.

Também conforme o delegado, o inquérito está praticamente concluído, estando pendentes apenas os chamados laudos de necropsia da vítima e aquele feito no local do crime quando do achado do corpo.

A Polícia Científica também não entregou ainda o laudo com a análise do conteúdo do celular de Josefa. A Delegacia da Mulher de Araucária ouviu ao todo doze testemunhas. “Vou representá-lo pelo crime de feminicídio, que conforme alterações recentes na legislação preveem pena de até 40 anos de prisão”, comentou o delegado.

OUTROS CRIMES

Também conforme o delegado Eduardo Kruger, tão logo a notícia sobre o assassinato de Josefa se tornou pública outras duas ex-companheiras de Ezequiel procuraram a Delegacia para relatar que foram vítimas de violência doméstica praticadas por ele.

Uma delas chegou a morar com Ezequiel no mesmo apartamento em que Josefa foi morta. Ela, porém, teve mais sorte, terminou o relacionamento e voltou a morar em Minas Gerais. Porém, com medo, não registrou a violência sofrida. A outra vítima seria moradora de São José dos Pinhais.

Em virtude dessas novas denúncias, A Delegacia instaurou novos procedimentos investigatórios. Uma das vítimas – inclusive – relatou ter sido estuprada por Ezequiel. Ela ainda foi mantida em cárcere privado, sofreu violência psicológica e lesão corporal qualificada.

Os três casos conhecidos demonstram que Ezequiel era um agressor contumaz de mulheres. Um monstro que agredia de maneira costumeira suas companheiras.

PRÓXIMOS PASSOS

Tão logo conclua o inquérito acerca da morte de Josefa, o delegado Eduardo Kruger o encaminhará à Vara Criminal de Araucária. Lá, a juíza responsável pelo caso o remeterá ao Ministério Público. O promotor que analisar a situação terá então até 10 dias para denunciar ou não Ezequiel. A tendência é que a opção seja o oferecimento da denúncia, ante a robustez das provas.

Uma vez denunciado, caberá a juíza da Vara Criminal decidir se existem elementos suficientes para receber a denúncia. A tendência, novamente, é que ela assim decida.

Após, inicia-se os trâmites típicos da ação penal, que culminarão ao seu final numa sentença de pronúncia ou não. Se a opção for a primeira, Ezequiel sentará no banco dos réus para ser julgado diante da população pelo tribunal do júri. Será um corpo de sete cidadãos araucarienses que – ao final – dirão se ele é inocente ou culpado.

Não há um prazo certo para que isso aconteça. Mas como a expectativa é que Ezequiel permaneça preso durante toda a instrução do processo, muito possivelmente o júri deve acontecer em meados do ano que vem.

Edição n.º 1499.