O reality show Big Brother Brasil sempre é um assunto muito recorrente nas redes sociais durante a transmissão do programa que acontece anualmente. Nas últimas semanas, diversos temas entraram em debate devido aos acontecimentos com os participantes dentro da casa. Uma dessas situações envolveu o ator Henri Castelli, que precisou sair do programa após sofrer duas crises convulsivas.

A primeira crise aconteceu durante uma prova de resistência, dois dias após o início do reality. Em uma entrevista ao Fantástico, Henri relatou que sentiu os sintomas horas antes da prova, como tontura e vista embaralhada. Após a crise, o participante foi levado ao hospital, onde, após realizar exames, foi liberado para voltar para o programa.

Porém, pouco tempo depois de entrar na casa, Henri teve mais uma crise convulsiva e precisou voltar ao hospital, onde passou por novos exames. Dessa vez, foi decidido que, por questões de saúde, ele seria desclassificado do reality show.

Várias dúvidas acerca de crises convulsivas surgiram com esse episódio, além do medo generalizado da população. Para explicar melhor sobre essa questão, o neurologista Hudson Fameli irá abordar o que é a crise convulsiva, como pode ser identificada e quando é preciso buscar ajuda médica.

“A crise convulsiva é resultado de uma descarga elétrica anormal e excessiva no cérebro, que provoca alterações temporárias no comportamento, nos movimentos, na consciência ou nas sensações da pessoa. Durante a crise, o cérebro perde momentaneamente o controle normal de suas funções”, explica o neurologista.

A convulsão gera impulsos elétricos de forma desorganizada, causados por grupos de neurônios. Essa ação pode resultar em tremores e perda de consciência, até movimentos involuntários intensos. Normalmente, a crise dura por pouco tempo, mas o impacto dela depende do tipo e da causa da convulsão.

As origens da crise convulsiva são diversas, sendo as mais frequentes a epilepsia; febre alta, especialmente em crianças; traumatismos cranianos; infecções no sistema nervoso central; alterações metabólicas, como hipoglicemia; uso ou abstinência de álcool e drogas; tumores cerebrais e AVC.

“O diagnóstico correto é fundamental para definir se a crise foi um evento isolado ou se faz parte de uma condição neurológica que exige acompanhamento contínuo. Algumas pessoas apresentam sinais prévios, conhecidos como ‘aura’, que podem incluir tontura, sensação de formigamento, alterações visuais, cheiro ou gosto estranho, confusão mental ou sensação de medo sem motivo aparente”, ressalta o doutor.

As pessoas que presenciarem uma crise convulsiva devem ficar atentas a sinais de alerta que indicam emergência, como: caso a crise durar mais de 5 minutos; se ocorrem várias crises seguidas, sem recuperação da consciência; se a pessoa se machucar durante o episódio; caso seja a primeira convulsão que a pessoa sofre; e se a pessoa apresentar dificuldades de respirar após a crise.

Além disso, as pessoas próximas devem manter a calma nessa situação e seguir algumas orientações do doutor. Ao ver uma pessoa tendo uma crise convulsiva, deve deita-la de lado, para evitar aspiração de saliva. Também é preciso afastar objetos que possam causar ferimentos e deve proteger a cabeça da pessoa que estiver convulsionando. Para completar, também é importante monitorar o tempo de duração da crise.

Crises convulsivas do ator Henri Castelli durante o BBB acendem alerta na população
Foto: O doutor explica que o tratamento para a convulsão depende do que desencadeou a crise

“Nunca se deve colocar objetos ou os dedos na boca da pessoa, nem tentar conter os movimentos à força e nem oferecer água ou medicamentos durante a crise. Essas atitudes podem causar lesões graves.

Após a convulsão, é comum a pessoa ficar confusa, sonolenta e cansada. O ideal é permitir que ela descanse, manter o ambiente calmo e buscar avaliação médica, especialmente se for a primeira crise”, orienta o especialista.

Para finalizar, ele explica que o tratamento depende da causa da convulsão. Se a crise for recorrente, pode ser indicados o uso de medicações anticonvulsivantes, acompanhamento neurológico regular e, em situações específicas, procedimentos cirúrgicos ou terapias complementares. “Com o tratamento adequado, muitos pacientes conseguem ter qualidade de vida e controle das crises”, finaliza.
SERVIÇO
O neurologista Hudson Fameli atende pacientes com mais de 8 anos, e atua com o CRM 19619, atendendo pela Unimed na Clínica São Vicente, que está localizada na Rua São Vicente de Paulo, n.º 250, no centro de Araucária. O telefone/WhatsApp para contato é o (41) 3552-4000, e o site da Clínica é o www.csv.med.br.

Edição n.º 1499. Victória Malinowski.