Durante a madrugada de quinta-feira, 29 de janeiro, mais uma tempestade de raios atingiu Curitiba e a região metropolitana, incluindo Araucária. De acordo com o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), cerca de 3.190 raios atingiram a região, sendo 858 apenas aqui na cidade.

Um fenômeno semelhante já tinha acontecido antes na região, no dia 18 de janeiro. A tempestade de raios chamou a atenção de vários paranaenses e vídeos registrando o momento circularam pela internet por vários dias. Nessa primeira tempestade, foram registrados mais de 5 mil raios em todo o estado, e cerca de 2 mil descargas atingiram o solo.

De acordo com o professor de Geografia, Marcus Matozzo, em ambas as situações o clima foi uma das causas. “Existem sim algumas explicações para tantas descargas elétricas, contudo não é uma “exclusividade” para Araucária. O que é preciso levar em conta são alguns fatores, especialmente o clima muito quente, umidade e uma movimentação de massa de ar. No caso, a que chegou por aqui neste dia, que era mais fria daquela que estava por aqui, formando um encontro de massas de ar”, explicou.

Essa combinação de componentes resultou na formação de nuvens cumulonimbus, que são grandes e altas. Professor Marcus dá o seguinte exemplo: Imagine que numa sala tem vários balões de aniversário no chão, cobrindo toda a extensão do solo (seria a representação do ar mais quente). Na porta de entrada, ligamos um ventilador na altura do chão (representando a massa de ar fria), ela faria os balões começarem a subir em várias alturas diferentes. Alguns subiriam até o teto, porque o ar frio empurra o ar quente para cima.

“Dito isso, estávamos com alguns dias muito quentes, e o ar quente e úmido começou a ser empurrado para cima conforme a massa de ar mais frio foi chegando por aqui. O ar quente, conforme sobe, vai encontrando uma temperatura menor na atmosfera. Quanto mais alto, menor a temperatura. Isso faz com que o vapor comece a condensar e se transformar em nuvem. Quanto mais vapor subindo, maior será a nuvem, aí no caso, aparecem as Cumulonimbus, típicas do verão”, descreve ele.

Além disso, o professor também menciona que dentro dessas nuvens, granizos também podem se formar. Ele finaliza dizendo que partículas de poluição que estão suspensas no ar podem contribuir para que o fenômeno das descargas elétricas venha a se intensificar. “Teríamos que ter outros dados para saber o índice de poluição aqui para poder afirmar se isso contribuiu ou não no fato!”.

Na tempestade que atingiu a cidade no dia 29, a Estação Meteorológica do Colégio Szymanski, que está sob supervisão do professor Marcus, contabilizou a precipitação de chuva de 28mm.