Para quem é natural da cidade de Araucária, e conheceu nossa cidade a partir dos anos 50 conheceu esse senhor, e quem vive nesta cidade há algumas décadas com certeza já ouviu falar do Sr. Sebastião Pillatto e de sua esposa Dona Ana Pizzatto.

O casal residia na Rua Presidente Carlos Cavalcanti, em uma pequena chácara que havia próximo ao Cemitério Central. Ela era uma senhora tranquila, dona de casa, mãe, apegada a sua casa, plantas, animais e agricultura. Eles formavam um casal perfeito, e ambos tinham grande apego e cuido das parelhas de burro que o Sr. Sebastião utilizava em seu serviço.

Ele era um trabalhador que usava sua carroça para todo tipo de serviço. Puxada sempre por duas parelhas de burros. De longe se sabia quando ele vinha pela rua. Bem antes do calçamento ou asfalto nas nossas ruas, ouvia-se o barulhinho dos sininhos dos burros e o trotar forte das parelhas e o vozeirão do Seu Sebastião. Conhecido na cidade pelo apelido de “Sebastião Louco”, era um homem alto, forte, simpático, trabalhador, e uma pessoa que falava alto e sempre estava alegre, sua gargalhada era alta e conhecida, tão natural na descendência italiana, com seu chapelão foi um carroceiro de serviços diversos, fretes para toda cidade.

Sua carroça puxada por duas parelhas de burros era conhecida, porque o Seu Sebastião tratava muito bem aqueles burros, ele mesmo examinava os seus animais, procurava veterinário ao menor sinal de algum problema, eram bem tratados e bem alimentados, sempre com pelo escovado, o Seu Sebastião tinha o cuidado de colocar enfeites como pompons vermelhos e sininhos, que ainda longe já eram identificados com o trotar dos cascos na estrada de terra, e, todos corriam para ver a passagem porque era mesmo um espetáculo.

Lá vinha o Seu Sebastião rindo alto, respondendo a todos os cumprimentos em voz alta, e, a carroça em alta velocidade. Era um espetáculo lindo de se ver, de se ouvir, e a saudade que traz dá vontade de subir na carroça pra dar uma volta, mas o Sebastião estava sempre trabalhando e o cuidado com seus animais era conhecido também.

Hoje Dona Ana e Seu Sebastião são memórias saudosas, assim como as parelhas de belos animais e a chácara onde residiram, ali eles tinham seus animais pastando no seu próprio cercado, uma família que é bastante conhecida e respeitada em Araucária.

E é quando lembramos de pessoas como Seu Sebastião como Dona Ana, que sentimos uma pontada de saudade, pessoas como essas foram a base mais profunda e forte da construção de Araucária, à eles sempre nosso respeito e carinho.

Edição n.º 1504.