Março chega sempre carregado de flores. No entanto, é preciso lembrar que o Dia Internacional da Mulher não nasceu de homenagens, mas da luta — de mulheres que enfrentaram jornadas exaustivas, salários injustos e a exclusão dos espaços de decisão. O 8 de março é, portanto, memória e reflexão.

Ser protagonista da própria história nunca foi simples. Em uma sociedade estruturada sobre bases historicamente masculinas, ocupar espaço exigiu resistência — e ainda exige. A desigualdade salarial persiste. A liderança feminina continua sendo questionada. A sobrecarga doméstica ainda recai, majoritariamente, sobre elas.

Essa vulnerabilidade nem sempre aparece nas estatísticas. Ela está intrínseca às trajetórias interrompidas, às carreiras pausadas, à dependência financeira e ao medo de não conseguir recomeçar. É nesse contexto que o discurso precisa dar lugar à prática.

Protagonismo não se constrói apenas com palavras de incentivo. Constrói-se com acesso, qualificação e oportunidade. É justamente nesse ponto que as políticas públicas fazem a diferença, ao transformar intenção em ação concreta.

Nesta semana, a Secretaria Municipal de Assistência Social iniciou o Programa Mobiliza Mulher. Durante dois meses, mulheres em situação de vulnerabilidade social participarão de oficinas voltadas ao fortalecimento pessoal e à inserção no mundo do trabalho.

O curso contempla conteúdos como autoconhecimento, comunicação, empregabilidade, empreendedorismo e liderança. E, sobretudo, amplia o acesso: não exige grau de escolaridade. É acessível, dinâmico e estruturado para respeitar diferentes trajetórias de vida.

O Mobiliza vai além do conteúdo técnico. Oferece algo essencial: autonomia e confiança — autonomia para buscar renda e confiança para romper ciclos de dependência, medos e inseguranças, decidindo os próprios caminhos.

Programas como o Mobiliza Mulher configuram instrumentos efetivos de transformação social. Investir na formação feminina é, ao mesmo tempo, fortalecer famílias, reduzir vulnerabilidades e impulsionar o desenvolvimento da comunidade.

Quando uma mulher transforma a própria trajetória, ela altera também a paisagem social que a cerca. Que as flores sigam como gesto simbólico, mas jamais substituam o essencial: respeito inegociável, proteção, ampliação de oportunidades, promoção da autonomia e valorização real de cada mulher.

Edição n.º 1505.