Quem nunca pegou uma flor na infância, olhou para um amiguinho e começou a arrancar pétala por pétala dizendo “bem-me-quer, mal me quer…” até no final chegar numa conclusão quase espiritual sobre os sentimentos do outro?

Se essa brincadeira pega em Araucária… haja flor, meus amigos.

Mas a vida adulta não funciona assim. Aqui não dá pra ficar arrancando pétala pra descobrir intenção de ninguém. Aqui é mais simples — e mais duro também: é coerência.

E eu gosto de uma ideia bíblica que é bem direta: não dá pra servir a dois lados. Cada um interpreta como quiser, mas no fim a pergunta é simples — você acredita mesmo no que você fala?

Porque discurso bonito todo mundo tem. Agora sustentar o que fala quando aperta… aí já diminui bastante o número de fiéis.

Jesus mesmo descobriu isso cedo. Tinha discípulo, tinha seguidor, tinha multidão… mas na hora política da coisa, foi vendido por Judas por 30 moedas. E olha que ali não precisou arrancar pétala nenhuma.
E na minha visão, a pior incoerência espiritual que existe é a mentira. Porque além de velha, ela é desajeitada: tem perna curta, aparece rápido e ainda te deixa numa situação constrangedora.

Eu aprendi quando criança, dentro de uma família evangélica, uma frase que nunca saiu da minha cabeça:“a boa fama é melhor que o bom perfume”. E faz sentido. Perfume passa. Você toma um banho, troca de roupa e resolve.

Agora reputação… meu amigo… essa não troca tão fácil assim.

Caráter e palavra ou tem ou não tem. Não existe meio termo elegante pra isso. E quando alguém é pego na mentira, na incoerência, na fraude — ainda mais hoje — a resposta vem rápido. Espiritualmente, socialmente, digitalmente… tudo anda mais veloz.

A tal “lei do retorno” não anda mais de carroça, não. Tá de fibra ótica.

E eu lembro de um salmo que eu gostava muito na época da Congregação, principalmente quando o clima na igreja tava mais pesado, com fofoca, intriga e irmão querendo passar o outro pra trás. Salmo 133: “Quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união…”

Bonito. Necessário. Mas vamos ser sinceros?

Tem gente que gosta de um furdunço.

E aí não tem muito o que fazer. Não é pétala que resolve, não é discurso que corrige. Às vezes é só o tempo mesmo. Esse aí não falha.

Porque no fim das contas, a vida não funciona no “bem-me-quer, mal me quer”.
Funciona no “mostra quem você é”.

Edição n.º 1507.