Pets com deficiência (PCD) costumam sofrer preconceito e, em casos extremos, são abandonados por seus tutores. Um dos principais motivos é a falta de conhecimento sobre como lidar com o animal, no entanto, o fato de um animal ser especial não interfere na sua capacidade intelectual, pelo contrário, os outros sentidos acabam aflorando mais, fazendo com que eles aprendam novas formas de se comunicar.

O veterinário Luciano Buch, sócio proprietário da CVA – Clínica Veterinária Araucária diz que é possível ensinar diferentes habilidades para cachorros surdos e cegos, provando que eles são inteligentes e capazes de tudo.

Os principais sinais para descobrir se o pet é surdo são: falta de resposta a estímulos sonoros, não reage ao chamado, não acorda com barulhos ou se assusta apenas quando tocado. Em filhotes, pode-se notar dificuldade de aprendizado de comandos básicos que dependem da voz.

“A surdez pode ser congênita (desde o nascimento, muitas vezes genética) ou adquirida, por fatores como infecções de ouvido, traumas, envelhecimento ou uso de medicamentos ototóxicos. Cães de pelagem branca são mais propensos a apresentar problemas auditivos, pois há uma associação genética entre pelagem branca e surdez congênita, principalmente em animais com ausência de pigmentação na região da orelha interna”, ilustra.

Dr Luciano diz que o principal exame para diagnosticar a surdez é o BAER (Brainstem Auditory Evoked Response), que avalia a resposta auditiva do cérebro a estímulos sonoros e confirma com precisão a presença e o grau de surdez. Casos relacionados a infecções ou obstruções podem ser tratados. Já a surdez congênita ou relacionada ao envelhecimento geralmente é irreversível. “Os responsáveis precisam saber que é possível adestrar um cachorro surdo, através de sinais visuais, gestos, expressões faciais e até vibrações. Muitos cães surdos aprendem comandos com excelente desempenho”, afirma.

CÃES CEGOS

A cegueira em cães pode ter diversas causas, sendo mais comum em animais idosos devido à degeneração natural das estruturas oculares. Também pode estar associada a doenças como diabetes, catarata, glaucoma, infecções, traumas ou alterações neurológicas. Em alguns casos, pode ocorrer de forma súbita, como em intoxicações ou crises convulsivas, podendo ser temporária ou permanente.

“A adaptação do ambiente é fundamental. O ideal é manter uma rotina previsível e os objetos sempre nos mesmos lugares. Os cães possuem olfato e audição muito desenvolvidos, então rapidamente aprendem a se orientar pelo cheiro e pela memória do espaço. Tapetes, texturas diferentes no chão e estímulos olfativos podem ajudar na orientação”, sugere.

O veterinário reforça que a interação é essencial. Antes de tocar no animal, o ideal é permitir que ele reconheça a presença pelo cheiro, aproximando a mão do focinho. Nunca se deve tocá-lo de forma brusca ou repentina, principalmente quando ele estiver dormindo. Falar com o animal antes de qualquer contato ajuda a gerar segurança.

“Filhotes cegos costumam apresentar dificuldade de locomoção, esbarrando em objetos, paredes e tendo menor interação com o ambiente comparado aos irmãos. Nesses casos, o ideal é a avaliação com médico veterinário, preferencialmente com foco em oftalmologia, que poderá realizar testes clínicos específicos para avaliar a visão e confirmar o diagnóstico. Esses cães também podem ser adestrados e o treinamento é baseado em comandos sonoros e reforço positivo. Eles costumam se adaptar muito bem e conseguem aprender rotinas e comandos com consistência”.

Edição n.º 1510.