O mês de abril é dedicado à campanha Abril Marrom, uma iniciativa nacional que visa conscientizar a população sobre a prevenção da cegueira e a importância da saúde ocular. A cor marrom foi escolhida por representar a tonalidade dos olhos da maioria dos brasileiros.

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De acordo com dados do último Censo do IBGE (2022), aproximadamente 6,5 milhões de brasileiros apresentam algum tipo de deficiência visual, sendo 500 mil pessoas cegas e cerca de 6 milhões com baixa visão. Grande parte desses casos, contudo, poderia ser evitada por meio de diagnóstico precoce e tratamento adequado.

O maior desafio é que muitas dessas doenças evoluem de forma silenciosa, sem apresentar sintomas nas fases iniciais. Entre elas estão a catarata, o glaucoma, a retinopatia diabética, o descolamento de retina, e degeneração macular relacionada à idade, conhecida como DMRI.

A Organização Mundial da Saúde reforça que com o diagnóstico precoce e o tratamento adequado é possível evitar de 60 a 80% dos casos de cegueira. Os exames oftalmológicos para a identificação de doenças oculares devem ser intensificados entre o nascimento e os primeiros anos de vida para o diagnóstico de doenças congênitas e o acompanhamento do desenvolvimento visual, e após os 40 anos de idade em que o envelhecimento ocular começa a ser percebido.

CIDADE ADAPTADA

Você já parou para pensar em como as cidades podem representar grandes desafios para quem possui deficiência visual ou tem a visão comprometida? A acessibilidade é uma necessidade urgente, pois elas precisam de autonomia, seja através da eliminação de barreiras ou da implementação de equipamentos e serviços que garantam esse direito aos cidadãos com deficiência visual.

E Araucária, será que oferece acessibilidade e serviços para as pessoas cegas e de baixa visão? Nas áreas de saúde e assistência social, as redes municipais prestam atendimento universal, estando acessíveis a toda a população, inclusive às pessoas com deficiência visual, conforme a demanda apresentada.

Na rede municipal de ensino, a Prefeitura mantém o Centro Municipal de Atendimento Educacional Especializado (CMAEE) – Área Visual, voltado ao atendimento de estudantes com deficiência visual. O serviço tem como objetivo oferecer suporte pedagógico complementar, contribuindo para a inclusão e permanência desses alunos no ensino regular.

De acordo com o Departamento de Educação Especial da Secretaria Municipal de Educação (SMED), atualmente 46 estudantes são atendidos pelo CMAEE – Área Visual. No momento, não há registro de estudantes com cegueira total matriculados na rede municipal.

A Biblioteca Pública Municipal Emiliano Perneta (BIPA) também disponibiliza acervo em braile, com títulos que podem ser consultados no local ou emprestados aos usuários, ampliando o acesso à leitura e à informação.

Na área de infraestrutura, a cidade possui sinalizações sonoras – em semáforos, por exemplo – e calçadas sem obstáculos que possam atrapalhar seu percurso e causar acidentes. Nos semáforos, por exemplo, para acionar o sinal sonoro, o usuário deve pressionar o botão por cerca de três segundos, até sentir uma vibração. As instruções para a utilização do aparelho por pessoas com deficiência visual estão em braile, na parte de cima do equipamento.

EXPERIÊNCIA PRÓPRIA

A araucariense Fátima, de 58 anos, possui baixa visão devido a uma doença chamada Harada (doença inflamatória autoimune que afeta principalmente a úvea, a camada vascular do olho, composta pela íris, corpo ciliar e coroide).

Devido a essa condição, Fátima está em tratamento há mais de 4 anos, e hoje, apesar de ter feito cirurgia e usar óculos, segue em acompanhamento constante. “Com o olho direito tenho a visão um pouco mais nítida, porém no olho esquerdo enxergo muito mal e às vezes vejo tudo embaçado”, relata.

Assim como as demais pessoas que convivem com problemas visuais, Fátima acredita que Araucária ainda está longe de oferecer os equipamentos necessários para garantir melhor orientação, mobilidade e segurança aos deficientes visuais.

“Quase não saio de casa, mas onde eu moro, no Jardim Israelense, ainda tem muito a se fazer, como melhorias nas calçadas, deixá-las mais lisas e sem obstáculos, isso facilitaria a vida dos cegos que usam bengala. Pelo pouco que ando pela cidade, percebo que ainda precisamos de mais semáforos sonoros, eles ajudam bastante na mobilidade de quem não enxerga, mas ainda existem poucos, teria que ter um em cada cruzamento”, sugere .

Edição n.º 1512.

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