A família do adolescente que teria feito uma fala que foi interpretada como uma ameaça de ataque dentro das dependências do Colégio COC, na região central de Araucária, afirmou neste final de semana que o jovem jamais proferiu as frases que estão sendo imputadas a ele.

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A declaração foi feita por meio de nota à imprensa, emitida pelo escritório Luiz Borges e Thomas Maioki Advocacia, que representa a família do adolescente.

Segundo a nota, o adolescente não cometeu nenhum ato infracional, visto que a revista feita em seus pertences pelas autoridades não encontrou qualquer objeto que pudesse ser considerado uma “arma” ou “bomba”. A defesa garante ainda que o jovem não dirigiu qualquer frase a colegas de turma que pudesse ser caracterizada como uma ameaça real.

A defesa alega também que todo o caso pode ser enquadrado como uma falsa comunicação de crime por parte daqueles que imputaram as falas ao adolescente. “O aluno é menor de idade, sofre de bullying dentro da instituição de ensino e todos os envolvidos na situação serão levados a sua responsabilização, seja na esfera cível ou criminal”, acrescenta a nota.

O advogado que representa a família afirmou ainda que todas as manifestações de ódio que estão sendo feitas contra o adolescente em redes sociais serão oportunamente objeto de ações judiciais para responsabilização de seus autores. “Os responsáveis pelas postagens já foram identificados e tomaremos todas as medidas cabíveis”, afirma a defesa.

Também segundo a nota, a família analisa se permanecerá ou não com o aluno matriculado na instituição. “O respeito deve estar presente em todos os ambientes, incluindo a sala de aula. E a escola tem o dever de zelar pela integridade física e psicológica de todos os alunos”, menciona a nota.

O que houve?

A situação envolvendo um aluno do Colégio COC aconteceu na manhã de sexta-feira, 29 de maio. As informações disponibilizadas pela GM são a de que a corporação recebeu pelo menos três chamados relacionados a situação do COC. O primeiro dava conta de que o adolescente estaria armado. O segundo que um adulto teria adentrado o colégio armado e o terceiro que o adolescente estaria com uma bomba.

Rapidamente várias viaturas chegaram ao local e apuraram que a situação era a seguinte. Esse adolescente teria abordado um colega de classe e dito algo do tipo “é bom vocês correrem porque daqui uma hora eu vou tirar um negócio da minha bolsa”. Outra versão dessa mesma frase seria “é bom você correr porque daqui a pouco eu vou explodir uma bomba aqui dentro da sala de aula”.

A partir deste momento a história teria se espalhado pelo colégio de forma muito rápida, com um aluno contando para outro e assim por diante, gerando comoção intensa no ambiente escolar. Profissionais que atuam no colégio teriam então levado esse adolescente com sua mochila até a direção. Quase que simultaneamente, porém, os boatos tomaram uma proporção muito grande, razão pela qual a direção do colégio enviou um comunicado pelo APP de mensagens com os pais solicitando que eles viessem buscar os alunos. Muitos alunos também pegaram os próprios celulares, que durante o período de aula ficam desligados, e começaram a ligar para seus pais.

Porém, enquanto tudo isso acontecia, o adolescente já estava na sala da direção do COC e a GM já havia chegado ao local. Segundo nos explicou o guarda que atendeu a ocorrência, eles verificaram o interior da bolsa do menino e não havia nela nenhuma arma, simulacro ou qualquer coisa que pudesse remeter a uma bomba. Por cautela, os guardas também verificaram a mochila do irmão desse adolescente, que também estuda no colégio, e nela também não havia nada.

Do mesmo modo, em diligências realizadas dentro do colégio, não foi encontrado nenhum adulto estranho ou algo assim que pudesse sequer justificar o teor da segunda ligação recebida pela GM.

Tão logo a GM descartou a possibilidade de qualquer situação de ameaça à integridade dos alunos os guardas passaram a notar um clima muito hostil de alguns pais que estavam na parte de fora do colégio. Por esse motivo, eles optaram em levar o adolescente até a Delegacia. Como manda o protocolo de segurança, esse menino foi conduzido até a viatura com as mãos abaixadas e para trás. O jovem, porém, não foi algemado como alguns boatos davam conta.

A Delegacia de Polícia Civil de Araucária explicou que o adolescente foi ouvido pela central de flagrantes. O jovem estava acompanhado de sua mãe e de um representante do Conselho Tutelar. A autoridade que ouviu o menino entendeu que era o caso de autuá-lo pelo ato infracional análogo ao crime de ameaça. Tão logo houve o encerramento de seu depoimento, ele foi entregue a mãe e liberado para que voltasse para sua casa.

Também conforme consta no relatório lavrado pela guarda municipal, em conversas com alunos do COC esses teriam relatado que o adolescente que fez a ameaça já teria sido vítima de episódios de bullying em ambiente escolar.

Conversamos também com a direção do colégio, que informou que está tomando as medidas necessárias para preservação do bom andamento das aulas em ambiente escolar.

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