Araucária ocupa a 2.353ª posição em relação a homicídios, segundo o Atlas da Violência
Entre os 5.569 municípios brasileiros com as maiores e as menores taxas de homicídio do país, Araucária ocupa a 2.353ª posição. Os dados são do Atlas da Violência 2026, divulgado recentemente pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
Segundo o Atlas, que utilizou como base o ano de 2024, Araucária registrou 27 homicídios no período. Considerando a população de 160.038 pessoas, isso representa 16,9 homicídios para cada 100 mil habitantes. No Paraná, a taxa registrada pelo levantamento foi de 18,6 homicídios para cada 100 mil habitantes, para uma população total de 11,89 milhões de pessoas – menor do que a média nacional de 20,1.
Os números apresentados pelo estudo reforçam a queda de indicadores da criminalidade já monitorados de maneira frequente pela Secretaria de Estado da Segurança Pública (SESP) na maioria das cidades. O relatório nacional, elaborado com base em dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, aponta redução dos homicídios de 26,4% no recorte ampliado, entre 2014 e 2024, e de 0,9% na passagem de um ano para o outro, entre 2023 e 2024.
O Paraná possui 17 municípios, além da capital Curitiba, com mais de 100 mil habitantes, em destaque em termos de baixa taxa de homicídios, com percentual inferior à média nacional. Araucária é um deles.
No recorte dos casos registrados no Paraná, Araucária apresentou uma queda na taxa de homicídios nos três últimos levantamentos, em comparação com os dados do Atlas da Violência do ano de 2024. Em 2024 (base 2022) foram 38 homicídios, sendo 4 ocultos; em 2025 (base 2023) foram 26 homicídios, sendo 3 ocultos; em 2026 (base 2024), foram 27 homicídios, sendo 1 oculto.
METODOLOGIAS DISTINTAS
O Atlas da Violência 2026, produzido pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, utiliza principalmente dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), ambos do Ministério da Saúde. Para calcular as taxas por 100 mil habitantes, o relatório usa estimativas populacionais da PNAD Contínua do IBGE. Portanto, a base é nacional, importante para comparação histórica entre estados, mas estruturada a partir da lógica da saúde pública.
Já os dados da SESP avaliam a realidade criminal a partir dos registros policiais, investigação, perícia e consolidação operacional das forças de segurança do Estado. Os dados são estratificados inclusive pela natureza, como homicídio doloso, feminicídio, latrocínio e outras classificações apuradas pelas instituições policiais.
O Atlas da Violência reúne dados sobre homicídios, violência contra mulheres, crianças, população negra, indígenas, LGBTQIAPN+, idosos e outros grupos sociais no Brasil.
O levantamento também analisa os chamados “homicídios ocultos”, mortes violentas registradas inicialmente como causas indeterminadas e posteriormente estimadas como assassinatos. Esses homicídios nem sempre são classificados dessa forma pela Segurança Pública.
DIVERGÊNCIA
Analisando as estatísticas da SESP (veja na tabela), a Polícia Militar de Araucária cita algumas divergências. Por exemplo, em 2024 foram registrados 12 homicídios dolosos e não 11 como aponta o levantamento da Secretaria. E do total de vítimas de feminicídio, os dois boletins da PM são referentes a ‘tentativas’ de feminicídio.
Em 2025, segundo a SESP, foram registrados em Araucária 20 homicídios dolosos, no entanto, os registros da PM apontam 21. Ainda nesse ano, a PM complementa que não houve registro de latrocínio (roubo com resultado morte) no Município, ao contrário do que aponta a estatística da SESP, que mostra 1 registro, e 1 feminicídio foi registrado no período.
Embora não se tenha o levantamento da SESP de 2026 para efeito comparativo, a PM informou que até a presente data, Araucária registrou dois homicídios dolosos e 1 feminicídio.
Com relação aos números apresentados pelo levantamento nacional apresentado pelo Atlas da Violência, a Delegacia de Araucária, preferiu não comentar.
ATENTA AOS NÚMEROS
A Guarda Municipal de Araucária disse que acompanha com atenção os indicadores de violência divulgados por estudos e levantamentos estatísticos, os quais contribuem para a compreensão dos desafios enfrentados pelos municípios brasileiros na área da segurança pública. “Os dados reforçam a importância do fortalecimento contínuo das políticas públicas de prevenção, da integração entre os órgãos de segurança e da participação da sociedade na construção de ambientes mais seguros”, afirma.
No âmbito municipal, a GMA afirma que tem desempenhado papel relevante no enfrentamento da criminalidade e na preservação da ordem pública. Somente nos primeiros meses de 2026, a instituição registrou mais de 4,5 mil ocorrências atendidas, quase 11 mil ligações recebidas pelo telefone 153, mais de 200 prisões realizadas e milhares de ações preventivas, incluindo patrulhamento ostensivo, atendimento de ocorrências, apoio às forças policiais, proteção do patrimônio público e acompanhamento de medidas protetivas por meio da Patrulha Maria da Penha.
“Os resultados demonstram o comprometimento da corporação com a segurança da população araucariense, por meio de uma atuação técnica, preventiva e integrada. A Guarda Municipal seguirá trabalhando em conjunto com as forças de segurança estaduais, o Poder Judiciário, o Ministério Público, demais órgãos públicos e a comunidade, contribuindo para a redução dos índices de violência e para o fortalecimento da sensação de segurança em todo o município”, declara a GMA.
Atlas de Violência – Araucária

Quantitativo de vítimas de mortes violentas segundo natureza penal e municípios

Edição n.º 1518.
