“Programa Atitude” registra reincidência de 8,21% entre autores de violência doméstica
Levantamento do Conselho da Comunidade mostra índice de reincidência de 8,21% entre participantes do Programa Atitude, voltado à reeducação de agressores em Araucária.
A reincidência em violência doméstica é combatida por medidas legais, medidas protetivas e grupos reflexivos voltados à reeducação dos agressores. Em Araucária, o Programa Atitude, desenvolvido pelo Conselho da Comunidade, vem desenvolvendo um papel importante na responsabilização do autor e na redução dos índices de novos ataques.
Segundo o Conselho, no período de janeiro a dezembro de 2024, o programa realizou 301 triagens de homens encaminhados pelo Poder Judiciário. Desse total, 223 foram inseridos nos grupos reflexivos, correspondendo a 74,09% dos atendimentos iniciais. Entre os participantes, houve 34 revogações das medidas judiciais que motivaram o encaminhamento ao programa (15,25%), 49 casos de descumprimento por abandono ou não conclusão das atividades propostas (apresentaram justificativa) (21,97%) e 6 desligamentos por outros motivos (2,69%), tais como mudança de município ou situações que impossibilitaram a continuidade do acompanhamento.
Ao final do período analisado, 134 participantes concluíram o Programa, com participação nos 8 encontros previstos, representando 60,09% dos participantes inseridos.
O Conselho explica ainda que foi realizado o acompanhamento dos 134 que concluíram o programa até junho de 2026. Nesse período, foram identificados 11 casos de nova prática de violência doméstica e familiar contra a mulher, resultando em um índice de reincidência de 8,21%.
Consequências para a vida!
Cilmara Aparecida de Mello, de 43 anos, viveu em um relacionamento abusivo por muitos anos. Em 2020 precisou sair de casa, veio para Araucária, junto com os dois filhos, para fugir do ciclo de violência. As agressões sofridas causaram sérias consequências, que Cilmara leva para a vida. “Hoje tenho medo de me relacionar novamente. Tentei amenizar o máximo que pude, o mais velho recolhia a irmã para outro cômodo quando as coisas começaram a piorar dentro de casa”, relata.
Foram anos de sofrimento, até que ela resolveu dar um basta. Procurou o CRAM de Araucária, que a acompanhou tanto no psicológico quanto na assistência social e profissional. “Eles me ajudaram a encontrar um estágio – eu trabalhava em um restaurante – e me auxiliaram com o vale-transporte, oferecendo todo o suporte. Agarrei essa oportunidade e, pela graça de Deus e pelo apoio constante da Guarda Municipal, do CRAM e do CREAS, consegui superar os desafios”, afirma. O CREAS foi fundamental no suporte psicológico aos seus filhos e na orientação jurídica.
Cilmara deixa uma mensagem encorajadora para as mulheres que estão vivendo um ciclo de violência: “Busquem ajuda nas redes de apoio, nem sempre a família dá o suporte que precisamos. Procure ajuda para sair, porque a situação piora a cada dia. Mulheres que iniciaram relacionamentos conjugais, prestem atenção nos sinais, eles existem, quanto mais cedo cair fora, melhor é”, aconselha.
Edição n.º 1945
