Padre André Marmilicz: Maria assunta ao céu de corpo e alma
Padre André Marmilicz reflete sobre a Assunção de Nossa Senhora e o que a solenidade representa para os fiéis.
A festa da Assunção de Nossa Senhora nasce no Oriente cristão por volta do século V, com o nome de ‘Dormição da Mãe de Deus’, lembrando o ‘sono’ pacífico de Maria antes de sua elevação, celebrando o fim da vida terrena de Maria e sua passagem para o céu. A comemoração chegou a Roma no século VII e se espalhou pelo Ocidente, fixada em 15 de agosto, até ser declarada dogma de fé em 1950. O papa Pio XII oficializou a crença como verdade de fé em 1º de novembro de 1950, por meio da bula Munificetissimus Deus. No Brasil e em outras regiões, a data é marcada por orações dedicadas às vocações para a vida religiosa e consagrada.
A solenidade da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria, em corpo e alma ao Céu, é um sinal eloquente de que, não só a ‘alma’, mas também a ‘corporeidade’ confirmam que tudo era bom. Assim como aconteceu com a Virgem Maria, também a nossa carne será elevada ao céu.
O fato de Maria ter sido elevada ao céu é motivo de júbilo e esperança para nós. Uma criatura de Deus, Maria, já está no Céu e, com Ela e como ela, também nós as criaturas de Deus, estaremos um dia. Portanto, o destino de Maria, unida ao corpo transfigurado e glorioso de Jesus, será o mesmo destino de todos os que estão unidos ao Senhor Jesus, na fé e no amor.
Maria encontra-se na glória de Deus. Ela alcançou a meta, onde, um dia, todos nos encontraremos. Eis porque, hoje, Maria é sinal de consolação e esperança, pois, se ela, criatura como nós, conseguiu, também nós conseguiremos.
Maria, como exemplo perfeito de fé e obediência, nos mostra, sobretudo na Anunciação, o que significa submeter-se inteiramente à vontade de Deus. Quando o anjo Gabriel lhe anunciou que seria a Mãe do Salvador, seu simples, ‘Faça-se em mim segundo a tua palavra’, revelou uma confiança absoluta e sem reservas no plano divino, mesmo diante da incerteza. Sem pedir explicações, Maria aceitou esse chamado, oferecendo não apenas a sua vida, mas também seu coração para acolher e colaborar no mistério da salvação. Esse ‘sim’ que ela pronunciou a Deus é muito mais do que palavras; é o início de sua caminhada de entrega, que atravessa cada momento de sua vida ao lado de Deus. Sua conformidade plena com a vontade de Deus, é para todos os cristãos, um exemplo vivo de santidade e obediência, mostrando que a verdadeira fé exige confiança, mesmo quando não compreendemos completamente o caminho que Deus nos traçou.
Na Assunção de Maria, elevada ao céu, de corpo e alma, renovamos nosso compromisso de amor a Deus e aos irmãos. A vida só tem sentido quando colocada a serviço, sobretudo dos mais sofredores. Esse foi o exemplo da mãe, sempre presente na vida da Igreja, pronta a socorrer os mais necessitados. Ela continua no céu, assim como foi na terra, a ser a nossa intercessora junto de Deus. A ela recorremos, especialmente nos momentos mais difíceis da vida. Mantenhamos nosso olhar e coração fixos naquela Mulher, que nunca abandonou seu Filho Jesus e, com Ele, agora goza da alegria e da glória celeste. Confiemos em Maria. Que ela nos ajude a percorrer o caminho da vida, reconhecendo as grandes coisas que Deus faz em nós e em torno de nós, sendo capazes de engrandece-Lo, com o canto da nossa existência.
Maria, Assunta ao céu. Rogai por nós.
Edição n.º 1945
