Terezinha Poly: A esquina que deixou saudades
Memória do Armazém da Dona Badia, na esquina das ruas Dr. Victor do Amaral e Cel. João Antonio Xavier, ponto de encontro de gerações em Araucária.
Aqui, na esquina das ruas Dr. Victor do Amaral com a Cel. João Antonio Xavier, durante muitas décadas havia um armazém que ficou conhecido pelos antigos moradores de Araucária como o Armazém da Dona Badia.
Ela era uma simpática senhorinha de cabelos branquinhos, dona do armazém, que atendia toda a freguesia. Nesta esquina, por muitos anos, havia um armazém frequentado por toda a criançada, que se encantava com o baleiro que havia no balcão e com a vitrine repleta de todos os tipos de guloseimas, coisas que hoje já não encontramos mais.
Dona Badia era comerciante, mas, antes de pensar em lucros, era daquelas pessoas que gostavam de fazer amigos. Tinha uma grande família, e todos os seus filhos desenvolviam atividades profissionais que os tornaram conhecidos, até mesmo como atletas de equipes de futebol.
Em tempos passados, nossa cidade tinha apenas a praça central como o verdadeiro centro. A Rua Dr. Victor do Amaral, nesta parte da foto, tem aquele trecho que chamamos de “subida da praça” e é onde, desde o início do século passado, havia algumas das construções mais antigas de Araucária.
Dona Badia trabalhava com seu marido no armazém. Após ficar viúva, continuou atendendo no balcão, sempre auxiliada por um de seus filhos. Já com idade avançada e a saúde comprometida, encerrou as atividades do armazém.
Não houve quem não ficasse triste. Eram pessoas acostumadas a fazer compras, fazer uma parada para conversar e tomar chimarrão. E havia também a criançada, que sempre chegava para comprar doces, principalmente os alunos das escolas, entre eles os do Instituto Sagrado Coração de Jesus, que todos os dias iam até ali durante o recreio.
E assim, um armazém com mais de meio século de história encerrou suas atividades. Os familiares, já seguindo suas próprias vidas, preferiram cuidar da mãe e não deixá-la se cansar.
Todos assistimos o casarão fechar suas portas e janelas, até que, um dia, foi demolido. Junto com ele, foi embora também um pedaço de nossas melhores lembranças.
No local, já em 2006, tapumes fecharam o terreno vazio e, logo, uma nova construção apareceria.
Nesta imagem, podemos ler as propagandas de 2006, como as ofertas do Super Dip e do Arraiá na Boatinha. Ao lado, onde funcionou o consultório médico do Dr. Alvaro Cantador, está a Cantina da Lidia. E essa subida da praça já começava a se modificar totalmente.
Atualmente, nesta esquina onde existiu o Armazém da Dona Badia, está construída a agência do Banco Santander.
Para tantas pessoas que conheceram o antigo armazém desde crianças, é impossível passar por esta esquina sem sentir muitas saudades do nosso passado e da nossa história.
Texto de responsabilidade de Terezinha Poly – Administradora da página “Araucária, Uma Cidade, Uma Saudade”, do Facebook.
Edição n.º 1948
