Saúde mental na terceira idade: como identificar sinais e oferecer suporte
A Secretaria de Saúde de Araucária explica como o cuidado com a saúde mental da população idosa é feito na rede municipal e quais sinais de sofrimento psíquico merecem atenção.
Especialistas alertam para o crescimento das taxas de suicídio entre idosos, fato que desafia a teoria comum de que transtornos de saúde mental restringem-se ao público jovem. O cenário reforça a urgência de ampliar o foco das estratégias de prevenção, para que também atinjam indivíduos com mais de 55 anos, grupo especialmente vulnerável a esse tipo de ocorrência. Não apenas durante a Campanha “Setembro Amarelo”, mas trazer esse grupo para o centro dos debates sobre saúde mental é fundamental para criar soluções eficazes e adaptadas à realidade deles.
A Secretaria de Saúde de Araucária (SMSA), por meio do Departamento de Atenção Psicossocial, destaca que o cuidado com a saúde mental da população idosa é realizado de forma integrada pela rede municipal de saúde. Os atendimentos relacionados ao sofrimento psíquico podem ocorrer em diferentes pontos da rede, desde a Atenção Primária à Saúde e os serviços de urgência e emergência até o atendimento especializado nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), nos casos que demandam esse tipo de acompanhamento.
Cuidado individualizado
De acordo com o Departamento, o cuidado é construído de maneira individualizada, considerando a realidade, as necessidades e as possibilidades de cada pessoa. As ações de promoção da saúde desenvolvidas pela rede também contribuem para a prevenção do suicídio e para o fortalecimento de fatores de proteção, como os vínculos sociais, a autonomia e a funcionalidade, importantes para a saúde mental na velhice.
“Em relação aos registros de suicídios e tentativas entre idosos acompanhados pela rede, não dispomos de dados municipais específicos que permitam identificar esse recorte exclusivamente entre pessoas idosas acompanhadas pelos serviços”, explica o Departamento de Atenção Psicossocial.
A SMSA reforça ainda que a depressão não deve ser considerada uma consequência natural do envelhecimento. Embora essa fase da vida possa envolver mudanças físicas, sociais e emocionais, como aposentadoria, perdas de pessoas próximas e redução da autonomia, sintomas como tristeza persistente, desânimo, perda de interesse pelas atividades, alterações importantes no sono e no apetite e sentimentos de inutilidade não são características normais da idade.
“A depressão é uma condição de saúde que pode ocorrer em qualquer fase da vida, inclusive na velhice, e que necessita de atenção e tratamento adequados. A identificação precoce e o acompanhamento profissional podem contribuir para a melhora do quadro e para a recuperação da qualidade de vida”, reforça o departamento.
Riscos
Entre os fatores que podem aumentar o risco de sofrimento psíquico nessa faixa etária A Saúde cita situações de luto, aposentadoria, doenças crônicas, dor persistente, perda de autonomia, isolamento social e dificuldades financeiras. “A manifestação de desejo de morrer, falas de que a vida não vale mais a pena ou comportamentos autodestrutivos também são sinais que exigem atenção e busca de apoio profissional”, explica a Saúde.
A secretaria alerta ainda que os sinais de sofrimento psíquico em idosos podem ser sutis e, em alguns casos, confundidos com mudanças próprias do envelhecimento. Por isso, é importante observar alterações persistentes no comportamento, no humor e no funcionamento cotidiano. Entre os sinais de atenção estão o isolamento social, mudanças de humor, alterações no sono e no apetite, negligência com a higiene e o autocuidado e sentimentos de inutilidade ou desesperança.
Para o Departamento de Atenção Psicossocial, o combate ao estigma relacionado à saúde mental na velhice passa pela informação, pelo diálogo e pelo respeito. A inclusão social e a manutenção e ampliação dos vínculos familiares, afetivos e comunitários são importantes, assim como o estímulo à autonomia e à participação da pessoa idosa nas atividades cotidianas e nas decisões sobre a própria vida.
A SMSA reforça que a saúde mental é parte fundamental da saúde em todas as fases da vida e que a busca por ajuda profissional deve ser incentivada sempre que houver mudanças que causem sofrimento ou prejuízo no cotidiano.
Atendimentos relacionados ao sofrimento psíquico entre idosos podem ocorrer em diferentes pontos da rede de saúde
Edição n.º 1951
