Quem circula pela área urbana de Araucária já deve ter percebido alguns “postes” novos e bem familiares: os Redutores Eletrônicos de Velocidade. Até o início de novembro, a empresa terceirizada Perkons vai concluir a instalação de 15 equipamentos que devem ajudar a reduzir a velocidade e, consequentemente, a quantidade de sinistros em pontos considerados críticos na malha viária da cidade.

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Quando a instalação for concluída, vai começar a contar um “período educativo” de 30 dias, no qual os condutores que ultrapassarem a velocidade limite ainda não serão autuados. No decorrer desse período, os próprios equipamentos estarão sinalizados, informando que não serão registradas eventuais infrações.

Justificativas

Um estudo de 2019 da Organização Mundial da Saúde (OMS) demonstrou que o Brasil ocupava a quarta posição entre os países com mais mortes causadas por acidentes de trânsito no mundo, atrás apenas de China, Índia e Nigéria.

“No Brasil, a cada 15 minutos uma pessoa morre por causa de acidentes de trânsito. A cada dois minutos, alguém sofre sequelas decorrentes de ferimentos causados nos sinistros”, afirmava na época o diretor-presidente do Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV), José Aurélio Ramalho.

Os acidentes de trânsito são a segunda causa de mortes não naturais evitáveis no país, atrás apenas do tabagismo. E as consequências desses sinistros representam um custo de cerca de R$50 bilhões anuais aos cofres públicos, incluindo gastos com saúde, indenizações e previdência. Os dados são de um levantamento feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo ONSV.

De acordo com os especialistas da área, cerca de 90% dos acidentes registrados no mundo inteiro decorrem diretamente do “fator humano”, como a imprudência dos condutores. E a velocidade excessiva tem impacto decisivo na consequência dos sinistros, principalmente no número de mortos e feridos graves.

Nesse sentido, a fiscalização eletrônica tem se mostrado um dos meios mais eficazes de controle da velocidade, com redução de cerca de 60% no número de mortes e de 30% no número de acidentes.

No caso específico dos Redutores Eletrônicos de Velocidade, estudo de 2007 do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (IBMEC-RJ) demonstrou que cada equipamento instalado evita cerca de três óbitos e 34 acidentes por ano.

Contexto local

Araucária é o 10º município mais populoso do Paraná, com uma população estimada pelo IBGE em 164.291 pessoas em 2026, circulação intensa e uma frota superior a 100 mil veículos.

E o excesso de velocidade é uma das principais infrações de trânsito registradas no município, com 14.475 autuações por exceder o limite permitido em até 20% – 12.657 das quais registradas pela fiscalização municipal. No ano passado, foram registradas 10 mortes na cidade, sendo sete de motociclistas.

“A fiscalização eletrônica é uma medida efetiva de segurança no trânsito. O objetivo é estimular o respeito aos limites de velocidade, reduzir comportamentos de risco e preservar vidas”, resume o diretor do Departamento de Trânsito de Araucária, Renato Krupa.

“Os pontos monitorados foram definidos com base em critérios técnicos, que incluem fluxo de veículos, velocidade, circulação e histórico de acidentes.”

O diretor lembra ainda que a população terá acesso aos locais, limites de velocidade e cronograma de implantação, além do “período educativo” que vai preceder o início das autuações.

“Haverá tempo suficiente para que os condutores conheçam os novos pontos de fiscalização e possam adaptar o seu comportamento antes do início da autuação”, garante.

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