Desorientação e dificuldade repentina para enxergar não são “apenas velhice”. Em pets idosos, principalmente com histórico de doenças renais ou endócrinas, esses sinais indicam que algo está errado e exigem avaliação veterinária urgente. Assim como os humanos, cães e gatos podem sofrer com pressão alta, uma doença silenciosa no início, que costuma passar despercebida até ser identificada durante exames de rotina ou no tratamento de outras enfermidades.

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De acordo com o veterinário Dr. Luciano Buch, sócio-proprietário da Clínica CVA, a hipertensão arterial em cães e gatos é mais comum do que se imagina, diagnosticada com maior frequência em animais idosos. Geralmente, a doença costuma estar associada a outras condições de saúde.

“Assim como ocorre nos humanos, a pressão alta pode trazer graves consequências para a saúde dos pets. Como o coração precisa trabalhar com muito mais esforço para bombear o sangue contra uma resistência maior, esse aumento sucessivo da pressão pode lesionar o músculo cardíaco, levando ao desenvolvimento de cardiopatias secundárias. Como o rim é o órgão responsável por filtrar o sangue (tanto o nosso quanto o deles), esse fluxo excessivo pode provocar uma lesão renal. Além dos rins, os olhos e o sistema cardiovascular são os principais afetados por essa condição”, explica

O veterinário complementa que, na medicina veterinária, a hipertensão arterial costuma ser secundária, ou seja, está associada a outras alterações de saúde. Entre as causas mais comuns estão: problemas cardíacos de base; doença renal crônica, que frequentemente gera o aumento da pressão; endocrinopatias, como o hiperadrenocorticismo e outras doenças endócrinas.

Além das doenças crônicas, Dr Luciano cita a dor como um fator relevante para a elevação da pressão arterial. “Animais idosos com problemas de coluna ou artrite, pacientes que sofreram traumas e acidentes, ou animais em pós-operatório tendem a apresentar picos hipertensivos decorrentes do sofrimento físico”, ilustra.

Embora possa afetar animais de todas as idades, o veterinário lembra que a hipertensão costuma ser mais frequente em pets a partir dos 7 anos de idade, sendo rara em pacientes muito jovens. “O grande desafio da hipertensão em pets é que ela é silenciosa. Diferente de nós, que conseguimos expor uma dor de cabeça ou um mal-estar, os animais não expressam esses sintomas diretamente. O diagnóstico depende da observação de sinais clínicos específicos e de check-ups de rotina para monitoramento preventivo”, afirma.

A aferição da pressão arterial veterinária é semelhante a triagem realizada em unidades de saúde de humanos. Ela pode ser feita de forma manual, utilizando o EcoDoppler (que funciona de maneira parecida com o estetoscópio), ou por meio de um monitor multiparâmetro, garantindo precisão e segurança no acompanhamento do paciente.

TRATAMENTO

O veterinário Luciano diz que o primeiro passo é entender a causa, saber se a pressão alta é o problema principal ou é secundária a outra condição. “Se for secundária à dor, tratamos a dor para controlá-la. Se for causada por um problema endócrino, precisamos diagnosticar e tratar isso. Em muitos casos, iniciamos a medicação para baixar a pressão imediatamente enquanto investigamos a causa real para proteger o animal”, afirma.

Ele lembra que, assim como os humanos vão ao médico anualmente, os pets também precisam desse cuidado. “Essa atenção deve ser redobrada para animais a partir dos 7 anos, que estão entrando na fase sênior. Consultas e exames preventivos são fundamentais, pois tudo o que é descoberto cedo é muito mais fácil de tratar!”, orienta.

Edição n.º 1956

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