Eventos esportivos de longa distância, como o Ironman Triathlon, têm se tornado cada vez mais populares entre atletas amadores e profissionais. Essas competições exigem resistência extrema e colocam o organismo sob grande esforço físico por várias horas. Em situações raras, porém impactantes, podem ocorrer eventos graves durante a prática esportiva, o que reforça a importância de cuidados e acompanhamento médico adequados.

De acordo com o cardiologista Ricardo Philipe Zago, que atende na Clínica São Vicente, a morte súbita durante atividade física de alta performance é considerada um evento raro, mas que chama atenção justamente por ocorrer, muitas vezes, em pessoas que aparentam estar saudáveis e bem preparadas.

Segundo o especialista, o exercício em si geralmente não é o responsável direto pelo problema. Na maioria das vezes, o esforço intenso acaba funcionando como um gatilho para alguma condição de saúde que já existia, mas que ainda não havia sido diagnosticada.

Entre as possíveis causas de uma parada cardiorrespiratória durante exercício intenso, uma das mais comuns, especialmente em adultos acima dos 35 ou 40 anos, é a doença arterial coronariana. Essa condição está relacionada à obstrução das artérias que irrigam o coração, geralmente causada pela aterosclerose, e pode levar ao infarto ou desencadear arritmias graves.

Fatores como hipertensão, colesterol elevado, diabetes, tabagismo e histórico familiar aumentam significativamente esse risco. Além disso, outras situações também podem contribuir para eventos cardíacos durante o esforço, como espasmo coronariano, trombose ou dissecção de coronária, embora sejam menos frequentes.

Nos atletas mais jovens, por outro lado, ganham maior relevância as doenças cardíacas hereditárias, alterações elétricas do coração e algumas doenças estruturais que podem permanecer silenciosas por anos e se manifestar apenas durante exercícios de alta intensidade. Em alguns casos, fatores como miocardite, desidratação importante ou alterações nos níveis de sais minerais também podem contribuir.

Apesar de assustarem, muitos desses eventos podem ser prevenidos com avaliação médica adequada antes do início ou da intensificação de treinos e competições. O cardiologista explica que o ideal é que praticantes de atividades físicas intensas realizem uma avaliação cardiovascular individualizada, que pode incluir consulta clínica, exame físico, eletrocardiograma e, dependendo do caso, exames complementares como teste ergométrico, ecocardiograma ou monitoramento cardíaco.

Embora a atenção maior esteja voltada para atletas de alta performance, pessoas que praticam atividade física regular também devem realizar acompanhamento médico, principalmente quando pretendem aumentar a carga de treino, iniciar uma nova modalidade ou participar de provas de maior exigência.

Outro ponto importante destacado pelo especialista é a necessidade de respeitar os sinais do próprio corpo. Sintomas como dor no peito, falta de ar fora do habitual, palpitações, tontura, sensação de desmaio ou queda repentina de rendimento nunca devem ser ignorados. Em competições de longa duração, também é essencial atenção com hidratação, descanso adequado, qualidade do sono e recuperação entre os treinos.

O doutor Ricardo ressalta ainda que atletas, especialmente aqueles que participam de provas de endurance ou mantêm treinos intensos com frequência, devem realizar avaliações médicas periódicas. A frequência desse acompanhamento varia de acordo com fatores como idade, histórico familiar, nível de exigência física e resultados de exames anteriores.

“Mesmo atletas amadores que treinam regularmente e participam de provas longas não devem se considerar totalmente protegidos apenas pelo bom condicionamento físico. Quanto maior a intensidade e a frequência do esforço, maior deve ser o cuidado com a saúde”, explica o médico.

Segundo ele, em muitos casos o corpo costuma apresentar sinais antes de um evento mais grave, como dores no peito, palpitações ou falta de ar desproporcional ao esforço. No entanto, nem sempre esses sintomas aparecem, o que torna ainda mais importante a realização de avaliações preventivas.

Alta performance em atividades físicas exige preparo e avaliação médica
O doutor enfatiza a necessidade de acompanhamento médico para praticantes de exercícios de alta performance

Apesar dos riscos associados ao esforço extremo, o cardiologista reforça que a atividade física continua sendo uma das principais ferramentas de prevenção de doenças cardiovasculares e promoção da saúde.

“A prática regular de exercícios salva muito mais vidas do que coloca em risco. O mais importante é entender que a alta performance exige responsabilidade, preparo e acompanhamento adequado. O esporte é saúde, mas o esforço intenso precisa sempre estar aliado à orientação médica”, finaliza.

SERVIÇO

O cardiologista Ricardo Philipe Zago, que atende pacientes a partir dos 13 anos, atua com o CRM 37900 na Clínica São Vicente, que está localizada na Rua São Vicente de Paulo, n.º 250, no centro de Araucária.

O telefone/WhatsApp para contato é o (41) 3552-4000, e o site da Clínica é o www.csv.med.br.

Edição n.º 1506.