Afinal, pesquisar sobre seus sintomas de saúde na internet é errado?

Muitos pacientes chegam ao consultório com um sentimento de culpa e logo “se entregam”: — “Doutor, sei que não é certo, mas pesquisei no Google…”. Mas por que isso não seria certo? Quais os benefícios e os riscos do autodiagnóstico com o auxílio de buscadores e IAs?

Primeiramente, gostaria de dizer que sou totalmente favorável a essas tecnologias. Vejo muitas vantagens na disseminação do conhecimento e, se utilizadas de forma correta, elas são grandes aliadas no entendimento do paciente em relação à sua condição de saúde.

Pontos positivos: Temos um paciente mais informado, familiarizado com termos e jargões médicos e capaz de formular perguntas mais assertivas durante a consulta.

Quais seriam os riscos? Um deles é a ansiedade (cibercondria). Os buscadores priorizam cliques, o que nem sempre reflete a realidade clínica; casos raros ou desfechos trágicos frequentemente aparecem antes de diagnósticos comuns. Um segundo risco é o de “falsos negativos”: por falta de informações corretas e pela ausência de um exame físico adequado, uma IA pode negligenciar diagnósticos sérios.

Existe também o viés de confirmação, no qual o paciente se identifica com um diagnóstico por possuir um ou outro sintoma similar e acaba por “somatizar”, passando a sentir os sintomas que faltavam e sofrendo como se a suposta doença fosse real.

É fundamental ter discernimento. O “Dr. Google” e as “Dras. IAs” podem ser grandes aliados da informação, tanto para preparar o paciente para uma consulta quanto para complementá-la. Porém, o exame físico e o julgamento clínico — adquiridos com anos de estudo e experiência — ainda são ferramentas indispensáveis que a tecnologia ainda não consegue substituir.

A tecnologia traz respostas rápidas, mas apenas o olhar atento traduz o seu silêncio. A informação digital ilumina o caminho, mas a segurança reside na confiança de quem olha nos seus olhos.

Edição n.º 1506.