A Vara Criminal de Araucária adiou a data em que tomará o interrogatório do vereador Gilmar Carlos Lisboa, réu numa ação penal em que o Ministério Público o acusa dos crimes de estupro de vulnerável e importunação sexual.

A vítima foi enteada do parlamentar e tinha apenas 13 anos quando as primeiras investidas teriam começado. Elas se estenderam até ela completar 15 anos e só cessaram quando a adolescente conseguiu fugir da residência em que morava com Gilmar e sua mãe, se refugiar na casa de uma amiga e procurar o Conselho Tutelar, que a acompanhou até a Delegacia de Polícia para registrar um boletim de ocorrência.

Agora se sabe que quem colheu o primeiro depoimento da vítima foi o vereador Fábio Pavoni (PV), que naquela oportunidade era investigador da Polícia Civil do Paraná. O fato foi relatado pelo próprio edil em recente sessão plenária da Câmara.

Segundo informações inicialmente fornecidas pela assessoria de imprensa do Ministério Público do Paraná, a audiência de instrução dessa ação penal começou em novembro do ano passado com a oitiva de testemunhas da defesa e acusação. O ato deveria ser retomado agora em março com o interrogatório de Gilmar e da outra ré no processo, que é a mãe da vítima. Porém, segundo pessoas que falaram ao O Popular na condição de anonimato, o ato foi redesignado para o final do mês de abril.

Logo após o interrogatório de Gilmar e da mãe da vítima, deve ser declarada encerrada a instrução do processo, sendo que tanto o Ministério Público quanto a defesa passarão a ter prazo de alguns dias para alegações finais. Na sequência, os autos seguem para sentença.

ATÉ 45 ANOS DE PRISÃO

Segundo o Ministério Público informou ao O Popular, Gilmar foi denunciado pela prática, em tese, dos seguintes crimes: estupro de vulnerável e importunação sexual. O crime de estupro de vulnerável teria sido praticado por ao menos duas vezes, existindo também uma circunstância de aumento da pena em razão de Gilmar ser padrasto da vítima naquela oportunidade. Mesma circunstância de aumento da pena vale para a denúncia de importunação sexual.

Já a mãe da vítima foi denunciada pela prática, em tese, das condutas de estupro de vulnerável e importunação sexual, na forma omissiva imprópria, com o agravante de ser a genitora da adolescente.

Na eventualidade de todas as acusações contra Gilmar serem julgadas procedentes, ele pode ser condenado a penas que somadas chegam a 45 anos de prisão.

RELATOS

Conforme apurado por nossa reportagem, Gilmar teria passado a mão pelo corpo da jovem. O vereador ainda ameaçava expulsar a adolescente de casa se ela não cedesse aos desejos sexuais dele, sendo que em certa oportunidade – dentro do carro da família – ele teria chegado a mostrar seu órgão genital para a jovem.

Também conforme O Popular apurou, a mãe da jovem teria tentado convencer a adolescente a deixar que o vereador “tirasse sua virgindade”. Essas informações seriam corroboradas, inclusive, por prints de mensagens.

DE VOLTA À CÂMARA

Na última terça-feira, 24 de março, depois de duas semanas de ausência, Gilmar voltou a comparecer a sessão. Na oportunidade disse que todo cidadão tem direito à presunção de inocência e que confia na Justiça.

Alegou ainda que não foi ouvido ainda pela Justiça. A verdade, no entanto, é que desde que foi formalmente notificado da ação, ele já se manifestou diversas vezes sobre as acusações, sempre por meio de seu advogado, tanto é que o processo caminhou para fase de instrução.

COMISSÃO PROCESSANTE

Paralelamente a ação penal em que é réu por estupro de vulnerável e importunação sexual, Gilmar também responde a uma comissão processante no âmbito do Poder Legislativo. O relator do caso é o vereador Ben Hur Custódio de Oliveira (União), que deve elaborar seu voto pelo arquivamento ou prosseguimento da representação ao longo das próximas semanas.

Edição n.º 1508.