A história do cego de nascença era interpretada pelos sacerdotes e doutores da lei, como consequência de algum pecado da família. Talvez os pais ou algum antepassado errou e ele estava pagando por esse pecado. Era uma visão absolutamente incompreensível e inaceitável, mas, essa era a crença dos líderes religiosos e, do povo em geral. O cego era então afastado da família e da sociedade, porque considerado um impuro. O que lhe sobrava era mendigar, para não morrer de fome.

Jesus não concorda com essa interpretação deturpada e cruel e, num dia de sábado, realiza um milagre, curando aquele cego e lhe devolvendo a visão. Algo tão extraordinário, que deveria ser motivo de alegria e de glórias a Deus, gerou uma revolta nas autoridades religiosas, acusando Jesus, principalmente por ter realizado essa cura num dia de sábado. Claramente, para eles a lei estava acima de tudo; para Jesus, o ser humano e a sua saúde estavam em primeiro lugar. Fizeram de tudo para desmerecer a ação de Jesus, pondo inclusive em dúvida que aquele homem fosse o cego de nascença. Os próprios pais são questionados a respeito do filho e da sua identidade. Questionam também o homem curado, querendo saber quem o curou. A resposta gera uma revolta nas autoridades, porque ele chamou Jesus de profeta.

Mais tarde, Jesus se encontra novamente com o homem curado e lhe pergunta se ele acredita no Filho do Homem. E ele quer saber então quem é ele para poder crer nele. Jesus se manifesta dizendo: ‘Tu o estás vendo; é aquele que está falando contigo’. Então ele exclamou: ‘Eu creio, Senhor’. E prostrou-se diante de Jesus. Com certeza, aquele homem, agora curado e plenamente livre, tornou-se um seguidor do Mestre.

Abrindo seus olhos físicos, Jesus despertou nele o dom da fé, abrindo também os seus olhos para uma nova realidade. Iluminado interiormente, esse homem novo não tem medo de proclamar que Jesus é o Senhor, o Salvador. Aconteceu nele um verdadeiro processo de encontro e de aceitação a Jesus. Inicialmente ele era apenas o homem Jesus; depois, um profeta e, finalmente, Senhor.

A história do cego de nascença, nos faz pensar em nossa própria vida. Quantas vezes nos colocamos como cegos, diante da realidade sofrida do nosso próximo. Quando nos fechamos de modo egoísta e individualista voltados apenas para o nosso próprio mundo, ficamos cegos à dor do irmão. Jesus vai dizer que o pior cego não é aquele que não enxerga, mas, aquele que tendo olhos, não vê a dor do outro.

Precisamos abrir o nosso coração e deixar Jesus entrar e fazer morada em nosso interior. No encontro com o Mestre, acontece também uma verdadeira transformação em nosso coração. O encontro com ele nos faz sair de nós mesmos e nos colocar prontos para ajudar aquele que mais necessita da nossa presença amiga e sincera.

Jesus é a luz do mundo e no encontro com essa luz, acontece também em nossa vida uma verdadeira transformação. Precisamos deixar que essa luz nos ilumine e, iluminados pela sua presença em nossa vida, sermos faróis de esperança. A sairmos das trevas do erro, da mentira, da maldade, do ódio, da inveja, da calúnia e sermos guiados pela luz da verdade, do bem, do perdão, da compaixão e da misericórdia.

Edição n.º 1506.