Assim como os humanos, os nossos bichinhos de estimação também podem sofrer com o calor, principalmente com a desidratação. Evitar isso e até mesmo tratar a desidratação precisa de cuidados específicos. Os veterinários Luciano da CVA e Gustavo da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMMA), abordarão sobre esses e outros cuidados que devemos ter com nossos amiguinhos de pelos.

Segundo Gustavo, os tutores podem detectar a desidratação por meio de sinais como gengivas secas ou pegajosas, olhos encovados, diminuição da elasticidade da pele, letargia, fraqueza, respiração ofegante intensa, redução da produção de urina e diminuição do apetite. Casos mais graves são sinalizados com a presença de vômitos, dificuldade de locomoção, colapso e alterações no estado de consciência.

Para evitar essa condição, o tutor precisa tomar algumas medidas, a começar pelo ambiente em que o animal fica. “Os pets devem permanecer sempre em locais frescos, arejados e com sombra. Dentro de casa, é indicado deixá-los próximos a ventiladores, climatizadores ou até ar-condicionado, garantindo conforto térmico. Caso o animal esteja muito ofegante ou visivelmente encalorado, uma medida simples e eficaz é oferecer uma toalha molhada com água fria para que ele possa deitar sobre ela e se resfriar”, explica o doutor Luciano.

O veterinário Gustavo reforça que os tutores devem dar bastante água aos pets durante dias de altas temperaturas, além de evitar a exposição ao calor intenso e adaptar a rotina de passeios. Referente aos passeios, Luciano complementa que devem ser evitados em horários mais quentes, entre 10h e 17h. Isso porque além do calor, os bichinhos também sofrem com o asfalto quente, que pode causar queimaduras nas patinhas.

Animais idosos, braquicefálicos ou com doenças crônicas devem receber atenção extra. Assim como os pets com pele clara, que são mais suscetíveis a queimaduras solares. Uma recomendação é o uso de protetor solar veterinário, principalmente na região do focinho, orelhas e barriga. Caso algum sinal de risco for identificado para esses grupos, deve-se procurar atendimento veterinário imediatamente.

“Os cães que têm o focinho mais achatado não conseguem dissipar o calor com eficiência, já que não suam como os humanos e dependem da respiração para regular a temperatura corporal. No calor excessivo, podem apresentar inflamação das vias aéreas, dificuldade respiratória e até obstruções, sendo frequentes os atendimentos de emergência nesse período. Por isso, é importante evitar brincadeiras intensas e agitação nos horários quentes do dia”, salienta Luciano.

COMPLICAÇÕES

Gustavo explica também que se a desidratação do animal não for tratada rapidamente, pode resultar em casos graves, como insuficiência renal aguda, alterações cardiovasculares, distúrbios eletrolíticos, comprometimento da circulação sanguínea e dificuldade de perfusão dos órgãos. “Em quadros mais avançados, pode evoluir para hipertermia ou golpe de calor, levando à falência múltipla de órgãos e até à morte do animal”.

Já o veterinário Luciano sugere o uso de petiscos gelados como uma maneira simples e divertida de ajudar na hidratação. Recomenda frutas, como maçã, banana e melancia que podem ser congeladas em pequenos pedaços ou transformadas em ‘sorvetinhos’. O suco de melancia, por exemplo, pode virar um picolé natural. Já para os gatinhos, o tutor pode usar o sachê (churu) para congelar em formato de geladinho.

“A alimentação exerce papel complementar importante na hidratação dos pets durante o verão. Alimentos úmidos, como sachês e patês, apresentam elevado teor de água e contribuem significativamente para a ingestão hídrica diária, sendo especialmente benéficos para gatos, que naturalmente ingerem menos água.

A ração seca possui baixa umidade e pode ser associada à adição de água ou ao fornecimento parcial de alimentos úmidos. Uma alimentação mais hidratante favorece a produção de urina mais diluída, auxiliando na proteção dos rins e do trato urinário, embora não substitua a necessidade de acesso contínuo à água fresca”, finaliza o doutor Gustavo.

Edição n.º 1498. Victória Malinowski.