No Antigo Testamento, o cordeiro simbolizava inocência, pureza, sacrifício e redenção, sendo crucial nos rituais de expiação dos pecados. Os cordeiros eram sacrificados para cobrir os pecados do povo, simbolizando arrependimento. Os Cordeiros eram imolados diariamente no Templo de Jerusalém como ofertas contínuas a Deus. O cordeiro era o animal que o povo sacrificava como oferta a Deus, para que seus pecados fossem perdoados. Da mesma maneira, naquela noite, da passagem da escravidão do Egito para a Terra Prometida, imolaram o cordeiro como símbolo que eles admitiam seus pecados, se arrependiam e reconheciam a grandeza e a senhoria de Deus.

Se no Antigo Testamento o povo pegava um cordeiro de sua pertença e fazia o sacrifício em favor de si mesmo, no Novo Testamento é o próprio Deus que faz sacrifico do Seu ‘cordeiro’, seu único filho, em favor de toda a humanidade. Por isso, até hoje rezamos a Jesus, utilizando o termo ‘Cordeiro de Deus’. Foi João Batista que apresentou Jesus para a humanidade, no início da sua missão, dizendo: ‘Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo’. No Antigo Testamento, um cordeiro era oferecido por quem se arrependia de seus pecados. O cordeiro tomava o lugar da pessoa. Quando morreu na cruz, Jesus tonou o nosso lugar, como o cordeiro sacrificado. Como Jesus nunca pecou e era Deus, seu sacrifício foi muito maior que um cordeiro. Ele pagou um preço tão alto que pode cobrir os pecados de todos que o aceitam como seu salvador. Jesus foi o grande sacrifício que Deus fez por nós, o Cordeiro de Deus.

A ideia de um cordeiro sacrifical pode parecer estranha hoje. No contexto bíblico, o sacrifício ocupava um lugar central na forma como o homem se relacionava, particularmente nas narrativas o Antigo Testamento. O pecado exigia expiação – um preço tinha que ser pago para restaurar a comunhão quebrada entre os seres humanos e o Criador. Dentro desse sistema de sacrifícios, o Cordeiro surge como uma figura única: puro, inocente, completamente entregue e plenamente acolhido por Deus como um símbolo de redenção.

A figura do cordeiro nos lembra que não precisamos carregar o peso dos nossos erros sozinhos. Quando Jesus morreu na cruz, Ele tomou para si toda culpa, vergonha e condenação, entregando-nos em troca o perdão completo e a verdadeiro liberdade. Mas isso vai muito além. O Cordeiro também nos desafia a viver uma vida transformada. Assim como Ele se entregou por amor ao mundo, somos chamados a refletir esse mesmo amor na maneira como tratamos os outros e enfrentamos nossos próprios desafios diários. Somos desafiados a vivermos esse sacrifício em nossas vidas, oferecendo o melhor de nós mesmos em prol dos outros. A nossa vida assume um verdadeiro sentido, quando é sacrificada a serviço dos irmãos. Vida sem sacrifício, sem doação, sem entrega, perde toda a sua razão de ser. Nos realizamos plenamente, na medida em que saímos do nosso conforto, da nossa comodidade, do nosso egoísmo e individualismo, e, nos sacrificamos em prol de quem mais necessita da nossa presença. Vida doada é vida consagrada, realizada e plena. Jesus, o Cordeiro de Deus que dá a sua própria vida para salvar-nos dos nossos pecados, nos ensina a estarmos sempre prontos para dar a vida em prol dos mais sofredores e daqueles que mais necessitam da nossa ajuda.

Edição n.º 1498.