O Instituto Água e Terra (IAT) divulgou no início do mês um relatório sobre a qualidade do ar no Paraná durante o ano de 2025. Os dados apresentam resultados positivos, com a diminuição de 14 para 3 dias os registros de concentrações inadequadas de partículas inaláveis de até 2,5 μg/m³ (microgramas por metro cúbico) (MP 2,5), uma redução de 78,5% em relação a 2024.

Nos demais dias do ano passado, segundo o levantamento, os índices atenderam ao padrão nacional da Resolução CONAMA nº 506/2024, que estabelece um valor limite diário máximo de 50 μg/m³ para a concentração do poluente na atmosfera, gases provenientes da fumaça emitida por indústrias e automóveis, o que pode causar danos respiratórios na população.

O professor de Geografia Marcus Matozo, do Colégio Estadual Professor Júlio Szymanski, contesta esses dados e explica que no ano passado estávamos sob a influência de um Super El-Niño, que deixou marcas históricas em relação ao nível de chuvas, especialmente na região sul, com maior impacto no Rio Grande do Sul. “Quando o volume de chuvas aumenta, as partículas de poluição que ficam suspensas no ar acabam sendo carregadas pela chuva, melhorando significativamente a qualidade do ar”, ilustra.

Segundo ele, historicamente, as agências de pesquisas vêm detectando um aquecimento ou resfriamento incomum nas águas do Oceano Pacífico, sendo o primeiro registro detectado em um mês de dezembro. Por isso o nome ao fenômeno de Niño, numa referência às festividades do Natal. “Em termos climáticos, no Brasil, durante o evento El-Niño, é possível observar um aumento do volume de chuvas na Região Sul e um período de estiagem mais severa na região nordeste, sendo o inverso quando da ocorrência do La-Niña”, compara.

Ele também explica que na parte final de 2024/2025 passamos por um período de neutralidade, e no segundo semestre de 2025, a entrada do La-Niña. “Neutralidade significa que as chuvas são regulares (com médias entre 100mm a 150mm mensais), que é o padrão no Paraná, um Estado bem servido de chuvas. Já 2026 se inicia com uma previsão de neutralidade com indícios de um El-Niño ainda esse ano”.

Para o professor Marcus, que também é um dos idealizadores do projeto Estação Meteorológica Didático Escolar (EMEDE) do Szymanski, os cenários ocorridos nos mostram que, naturalmente, a qualidade do ar pode ter tido uma melhora significativa, uma vez que muita chuva (Super El-Niño), depois neutralidade (chuvas regulares) em volumes moderados, dissipam essas partículas em suspensão. “Em termos de observância da qualidade do ar, o ideal seria comparar os dados coletados desses anos anteriores com os dados coletados durante eventos de La-Niña, quando a quantidade de chuvas é reduzida e há uma maior concentração de partículas de poluição suspensas no ar. Com essas comparações, poderíamos afirmar categoricamente que o Estado do Paraná reduziu suas emissões de gases poluentes, sem isso, torna-se tendenciosa qualquer afirmação sobre a melhora ou não da qualidade do ar paranaense!”, alega.

MONITORAMENTO

Atualmente, o monitoramento da qualidade do ar no Estado conta com 21 estações públicas, que estão instaladas em Curitiba (5), Araucária (2), Colombo (2), Paranaguá (2), Guarapuava, Maringá (2), Londrina (2), Cascavel, Foz do Iguaçu, Francisco Beltrão, Ponta Grossa e União da Vitória. Estrutura que é complementada por seis estações privadas, localizadas em Curitiba, Araucária (3), Paranaguá e São Mateus do Sul.

Edição n.º 1503.