A Delegacia da Mulher de Araucária prendeu recentemente, num período inferior a sete dias, três homens em flagrante por crimes de violência doméstica. Em comum entre os casos, além da gravidade das ocorrências, está o fato de que todos os suspeitos foram colocados em liberdade pela Justiça em menos de 24 horas após as prisões.

A sequência de prisões começou no dia 5 de março, no bairro Tindiquera. Um homem foi detido após denúncias de que agredia sistematicamente sua companheira. Além das agressões físicas confirmadas pela vítima, os policiais constataram que a residência do suspeito funcionava como ponto de venda de entorpecentes. No local e também no armário de trabalho do agressor foram apreendidas porções de cocaína, maconha, balanças de precisão e anotações relacionadas ao tráfico. O homem já possuía duas condenações criminais, sendo uma delas por tráfico de drogas.

No dia 10 de março, a equipe da Delegacia da Mulher cumpriu um mandado de busca e apreensão em uma chácara na Colônia Cristina. Um homem de 37 anos foi preso por utilizar armas para ameaçar a ex-companheira, com quem manteve um relacionamento por 18 anos. Durante a diligência, os policiais apreenderam uma espingarda calibre .22, diversas munições e um silenciador, acessório de uso restrito. O suspeito foi autuado por posse irregular de arma de fogo e posse ilegal de acessório restrito.

Já no dia 11 de março, a equipe prendeu um homem de 41 anos por descumprimento de medida protetiva de urgência. Ele vinha enviando mensagens intimidatórias à ex-companheira, chegando a afirmar que tiraria a própria vida na frente dela. O suspeito foi localizado e preso em frente ao condomínio da vítima, no bairro Porto das Laranjeiras.

O delegado de polícia Eduardo Kruger, disse ter ficado indignado com a soltura dos três agressores pela Justiça, menos de 24 horas após a prisão. Segundo ele, em algumas situações, sequer foi realizada audiência de custódia. Além disso, todas as prisões em flagrante foram homologadas pelo Poder Judiciário, o que confirma que não houve qualquer irregularidade na atuação da Polícia Civil.

Dos três casos, o delegado solicitou novamente a prisão de um dos agressores, aquele que foi detido no dia 5 de março, no bairro Tindiquera, e que já tinha duas condenações. “Foi pedida a prisão desse agressor, porém a vítima apresentou um pedido de retirada da medida protetiva. Depois, em tese, ela informou que foi coagida a fazer esse pedido de retirada. Sendo assim, o Poder Judiciário e o Ministério Público ainda estão analisando o caso. Os outros dois indivíduos estão soltos, porém não descumpriram mais as medidas protetivas”, explicou o delegado.

Segundo ele, especialistas e autoridades da área de segurança pública alertam que a rápida liberação de agressores pode aumentar o risco para as vítimas. “Para quem atua diretamente na linha de frente do combate à violência doméstica, a sensação é de que muitas vezes o ciclo de violência recomeça rapidamente quando o agressor retorna ao convívio social. A prisão em flagrante é uma ferramenta fundamental para interromper o ciclo de violência e garantir proteção imediata à vítima. Quando o agressor volta às ruas em poucas horas, o sentimento de insegurança aumenta”, aponta o delegado.

Edição n.º 1508.