A Páscoa judaica é celebrada há muito mais tempo do que a Páscoa cristã. Ela recorda a passagem do povo hebreu, escravo no Egito, da escravidão para a liberdade. Chegando na terra prometida, eles celebraram com festa essa conquista. Desde então, todos os anos eles se reúnem para contar aos seus filhos, esse grande feito do povo hebreu, guiados pela mão poderosa de Javé. O filho mais novo pergunta o sentido daquele encontro e os pais então recordam o dia em que o povo, conduzido por Moisés, deixou a escravidão no Egito, sendo conduzido até a terra onde corre leite e mel. Esse momento é sempre motivo de muita alegria, com um cordeiro imolado e partilhado entre todos, com muito vinho. Uma verdadeira festa.

A Páscoa celebrada pelos cristãos também recorda uma passagem, mas, da morte para a vida. O centro dessa festa é Jesus ressuscitado, que morreu pregado na cruz, mas ressurgiu depois de três dias glorioso e vencedor. A morte na cruz não teve a última palavra. Três dias depois, ou seja, no primeiro dia da semana que é o domingo, Maria Madalena foi até o túmulo onde Jesus tinha sido colocado. E, para surpresa dela, o túmulo estava vazio. Viu então um homem sentado do lado de fora e pensou que fosse o jardineiro. Para sua surpresa, ali estava o Senhor vivo e ressuscitado. Foi então contar para os apóstolos, os quais vieram até túmulo e constataram aquilo que foi enunciado pela mulher. Entraram e acreditaram que realmente o Senhor tinha ressuscitado, como havia prometido.

A Igreja nasce no dia da Páscoa, na fé do Cristo ressuscitado e vivo entre nós. Ele venceu a morte e, tudo aquilo que ele havia pregado durante a sua vida, tornou-se palavra de salvação. Suas palavras, seus gestos e ações se perpetuaram na história, como caminho, verdade e vida. Celebrar a Páscoa, é renovar a nossa fé no Senhor glorioso, vivo entre nós, que confiou à Igreja a missão de continuar anunciando a Boa Nova do Reino. Desde o início do cristianismo, foi a fé no Ressuscitado que dirigiu os passos dos apóstolos e de todos os cristãos convertidos ao cristianismo. Movidos por essa fé, eles nada temiam, mesmo quando os poderes do império romano iam totalmente contra, em forma de ameaças, prisões e martírios. O sangue derramado por um cristão, era motivo de conversão de outros que abraçavam com fé e coragem o seguimento a Jesus, sem temor perseguições e morte.

Celebramos novamente a Páscoa, a passagem da morte para a vida, a nossa fé no Cristo ressuscitado e vivo entre nós. Nos faz recordar que a Páscoa deve ser vivida todos os dias, na medida em que somos movidos pela fé e pela esperança. O cristão é aquele que não se deixa abater pelo desânimo, pelas dificuldades da vida, pelas situações dolorosas e inesperadas, porque vê a vida à luz da ressurreição. Diariamente somos bombardeadas por notícias tristes, por realidades de dor, sofrimento e morte. Isso não nos pode abater, porque, para quem crê em Jesus ressuscitado, a vida sempre vence. A luz é mais forte do que as trevas. Por momentos podemos cair, duvidar, mas, à luz do Senhor ressuscitado, levantamos e seguimos em frente.

Todos os dias podemos fazer a experiência da Páscoa, na medida em que superamos realidades duras, tristes e dolorosas. Afinal, Jesus caiu, levantou, morreu, mas, venceu as trevas da morte e ressuscitou. Na medida em que fazemos a experiência da superação, nos sentimos fortalecidos para seguirmos sempre em frente. Papa Francisco chamou a atenção de muitos cristãos que pararam na sexta-feira santa, não chegando no domingo da Páscoa. E, infelizmente, muitos dão muito mais força e poder para o mal, para realidades dolorosas da vida. Crer no Cristo ressuscitado, nos leva a viver diariamente movidos pela luz que é Jesus. A sermos neste um mundo instrumentos da vida e da esperança. A todos, desejo uma feliz e abençoada Páscoa, movidos pelo espírito do Cristo ressuscitado, vivo e presente entre nós.

Edição n.º 1509.