O mês de abril, marcado pela campanha Abril Azul, voltada à conscientização sobre o autismo, tem impulsionado discussões sobre abordagens terapêuticas utilizadas no desenvolvimento de crianças dentro do espectro. Entre essas abordagens, a Análise do Comportamento Aplicada (ABA) é apresentada como uma ciência dedicada ao estudo do comportamento humano e à promoção de mudanças consideradas socialmente significativas no cotidiano.

Segundo a psicóloga Mariana Kirchner, a ABA vem sendo aplicada há décadas e conta com um conjunto de pesquisas científicas que indicam resultados consistentes no desenvolvimento de habilidades em pessoas autistas, especialmente nas áreas de comunicação, aprendizagem e comportamento adaptativo. Na prática clínica, o acompanhamento ocorre por meio da coleta e análise contínua de dados, o que permite ajustes frequentes nas estratégias utilizadas conforme o progresso observado.

De acordo com a profissional, o processo terapêutico tem início com uma avaliação detalhada, que orienta a elaboração de um plano individualizado com objetivos específicos. As intervenções são realizadas por meio de brincadeiras, interações e atividades planejadas, respeitando o ritmo de cada criança. Nesse contexto, cada situação é utilizada como oportunidade de aprendizagem, possibilitando o desenvolvimento gradual de habilidades que variam desde aspectos mais simples até competências mais complexas.

Ainda conforme Mariana Kirchner, entre as áreas que costumam apresentar evolução estão a comunicação, tanto verbal quanto alternativa, as habilidades sociais, a autonomia em atividades do cotidiano, a regulação emocional e o desenvolvimento cognitivo inicial. Também é observada, na prática clínica, a redução de comportamentos que podem interferir no processo de aprendizagem, como crises intensas, agressividade ou autoagressão.

A psicóloga relata que mudanças no comportamento e na autonomia podem ser percebidas ao longo do acompanhamento terapêutico, especialmente em casos de intervenção precoce, com intensidade adequada e participação ativa da família. Esses avanços podem se manifestar tanto em pequenas conquistas do dia a dia quanto em ganhos mais amplos relacionados à independência e à adaptação social, considerando o ritmo individual de cada criança.

Mariana Kirchner destaca que não existe um tempo padrão para o aparecimento de resultados, embora mudanças iniciais possam ser observadas nas primeiras semanas de intervenção, principalmente em aspectos como engajamento e atenção. Já habilidades mais complexas tendem a se consolidar de forma gradual ao longo do processo.

Embora seja amplamente associada à infância, a aplicação da ABA não se restringe a essa fase. De acordo com a psicóloga, adolescentes e adultos também podem se beneficiar da abordagem, especialmente no desenvolvimento da autonomia e das habilidades sociais.

A profissional também aborda percepções equivocadas sobre a metodologia, como a ideia de que a ABA seria mecânica ou robotizada. Na prática clínica descrita por ela, as intervenções são conduzidas de forma natural, lúdica e adaptada à individualidade de cada criança. O objetivo, segundo explica, não é padronizar comportamentos, mas ampliar possibilidades de desenvolvimento, autonomia e qualidade de vida.

No atendimento clínico, a análise de comportamentos considerados desafiadores, como agressividade e autoagressão, também faz parte do processo. A proposta é compreender o que está sendo comunicado por meio dessas ações, permitindo a construção de estratégias mais eficazes e contextualizadas. O trabalho é realizado de forma individualizada, com ajustes constantes baseados em dados e em parceria com a família e outros profissionais envolvidos.

SERVIÇO

O consultório da psicóloga Mariana Kirchner fica na Av. Archelau de Almeida Torres, 1236, sala 06, no bairro Iguaçu. Para iniciar o tratamento, basta entrar em contato com o telefone do consultório (41) 3552-2226.

Edição n.º 1510. Maria Antônia.