‘Cultura de segurança’ é o caminho para empresas reduzirem acidentes de trabalho
O Paraná é o quarto estado do país que mais registrou acidentes de trabalho entre os anos de 2016 e 2025, ficando atrás apenas de São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. O estudo da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), aponta um total de 500.033 acidentes dessa natureza ocorridos no Estado durante o período.
O engenheiro de segurança Mauricio Ribeiro, que também é proprietário da empresa MR Engenharia, especializada em segurança do trabalho, lembra que o Paraná é um dos estados com maior desenvolvimento tanto em nível industrial quanto agrícola, possuindo um número elevado de trabalhadores. Estes indicadores, somados à falha ou descumprimento das normas regulamentadoras de segurança do trabalho e a fiscalização deficiente, acabam levando o estado a este número elevado de acidentes.
“Dados do Ministério do Trabalho mostram que as áreas com maior incidência de acidentes de trabalho hoje no estado são a hospitalar, seguido pelo transporte rodoviário e a indústria alimentícia. As quedas lideram as estatísticas, seguidas por cortes e lacerações, causados principalmente por materiais perfurocortantes no setor de saúde (ex: técnicos de enfermagem), por máquinas e ferramentas na indústria alimentícia e metalmecânica, e também o impacto e esmagamento gerados por contato com partes rotativas de máquinas ou choques contra objetos, frequentes em linhas de produção industrial”, enumera.
Para o engenheiro, os maiores números de óbitos estão no transporte rodoviário, no setor da construção civil e, principalmente, em acidentes envolvendo quedas com diferença de nível e choque elétrico.
Entre as principais causas desses acidentes, Mauricio aponta fatores humanos como a falta de atenção, baixa percepção de risco, negligência ou excesso de confiança; fatores do ambiente de trabalho, como a precarização de máquinas e equipamentos, manutenção deficiente, falta ou dispositivos de segurança ineficientes, e por fim a ausência ou uso inadequado dos equipamentos de segurança individual, que levam a ocorrência dos acidentes ou agravamento das lesões.
“O principal meio de prevenção é a cultura de segurança, as empresas precisam estabelecer esta cultura através de treinamentos contínuos, manter uma CIPA atuante, incentivar os relatos de desvios e incidentes, investimento em estruturas, máquinas e equipamentos seguros e capacitação dos profissionais e novas tecnologias ajudam a tornar os ambientes mais seguros”, sugere.
Ele ainda menciona que os investimentos em segurança do trabalho por parte das empresas costumam ser vistos como um custo, porém este conceito é equivocado, porque as empresas que investem em segurança (compra de EPI, adequação de máquinas como a NR-12 e treinamentos) acabam convertendo este custo em benefício.
“O investimento diminuiu ou elimina a ocorrência de acidentes, gerando ganhos com produtividade, qualidade na vida dos funcionários que se sentem seguros, trabalham melhor e faltam menos, gerando menor rotatividade de pessoal e também a possibilidade de diminuição da alíquota do RAT (Risco Ambiental do Trabalho), um imposto que fica mais caro quanto mais acidentes a empresa registra”, avalia o engenheiro.
DADOS LOCAIS
Mauricio conclui dizendo que Araucária é considerada um dos principais polos industriais e logísticos do Paraná, no entanto, registrou, segundo dados da Previdência Social, 1002 acidentes de trabalho em 2023 e 1271 acidentes em 2024, seguindo a tendência nacional de aumento das ocorrências.
Edição n.º 1513.
