Seu Joãozinho recebe doação de rim da filha Janaina após ser diagnosticado com hipertensão
O que pode ser considerado um ato de amor? Nada mais demonstrativo do que a doação de um órgão para a pessoa que você mais ama. Isso aconteceu em Araucária, mais especificamente no bairro Costeira.
Diagnosticado com hipertensão, Joãozinho Alves, de 59 anos, recebeu a notícia dos médicos que precisava realizar um transplante de rim. Foi quando sua filha, Janaina Roberta Alves, de 31 anos, decidiu ser a doadora. “Nossa relação sempre foi muito boa. Meu pai sempre foi muito presente, carinhoso e atencioso. É uma pessoa que admiro muito e representa tudo para mim. Ele e minha mãe são minha base, amo eles mais que tudo”, diz a filha emocionada.
Quando recebeu a notícia da gravidade da doença, a família ficou apreensiva. Janaina relata que eles não tinham muitas informações sobre a situação e foi um grande choque para todos. Seu Joãozinho realizou o transplante de rim no Hospital Evangélico Mackenzie.
“Durante uma consulta com nossa médica, fomos informados sobre a possibilidade de realizar exames para doação intervivos. Como sabíamos que minha mãe também era hipertensa e minha irmã não poderia doar por ter tido filho recentemente, eu não tive dúvidas. Era a vida do meu pai em jogo, e eu queria fazer tudo o que estivesse ao meu alcance para ajudar”, relata a filha.
Ela explica que muitos exames foram realizados para que o transplante fosse possível. Foram quase dois anos apenas nesta etapa, porque Janaina precisava estar 100% apta para a doação. Toda semana ela realizava os exames, entre laboratórios, ambulatórios e hospitais. “Meu pai também realizava exames mensais pela clínica DaVita, contando com acompanhamento médico, psicológico e nutricional. Foi um período muito difícil e de muita luta, mas sabíamos que tudo aquilo era necessário, porque estávamos lutando pela vida dele”.
Janaina enfatiza que o apoio da família foi fundamental nesse processo. A mãe dela deu todo o suporte, sempre os acompanhou em todas as consultas e exames, e até deixou o trabalho para poder cuidar do marido e da filha. Janaina se emociona ao contar que se não fosse pela mãe, não teria tido tanta força para enfrentar esse processo.
Em homenagem a esse momento emocionante e ao ato de amor de doar um órgão, a mãe de Janaina mandou fazer um cartaz para marcar esse momento na memória de todos e agradecer à filha pela doação.
Ela também faz um agradecimento especial à prima Karen, que teve a iniciativa de marcar uma consulta de rotina para seu Joãozinho no posto de saúde. Esta consulta possibilitou a descoberta da doença, após o médico pedir mais exames. Janaina também agradece à tia Ivone, que ofereceu todo o suporte e acolhimento nesse período.
“Hoje enxergamos a vida de uma forma diferente. Eu sempre fui muito apegada ao meu pai, e depois de tudo o que vivemos, esse amor só se fortaleceu ainda mais. Sempre que tenho a oportunidade de compartilhar nossa história e incentivar as pessoas sobre a importância da doação de órgãos, eu faço questão de falar”, descreve Janaina.
Ela acredita que a história de sua família pode tocar outras pessoas, e cita que algumas já foram conversar com ela sobre a vontade de doar e perguntar sobre como funciona o processo de doação.
Janaina também deixa uma mensagem para as pessoas sobre a doação de órgãos: “Eu diria que, se existe a possibilidade de continuar vivendo e ainda poder salvar ou transformar a vida de alguém através da doação, doe. A doação de órgãos salva vidas, e cada gesto pode representar uma nova chance para alguém”, finaliza.
Edição n.º 1516. Victória Malinowski.
