A violência contra a pessoa idosa nem sempre deixa marcas visíveis. Muitas vezes, ela se revela na ausência de cuidados, no abandono, na negligência diária ou em palavras que ferem e silenciam. É justamente para dar visibilidade a essa realidade que o Junho Violeta convida a sociedade à reflexão.

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Em Araucária, esse enfrentamento acontece diariamente por meio do trabalho desenvolvido pelo Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), serviço que acolhe, orienta e acompanha pessoas idosas em situação de violação de direitos. Cada atendimento representa uma história de vida que merece respeito, dignidade e proteção.

Os dados mostram a dimensão desse desafio. Ao longo de 2025, o CREAS registrou 394 situações de violação de direitos envolvendo pessoas idosas. Foram 202 novos atendimentos e 228 acompanhamentos continuados, evidenciando que muitas dessas ocorrências exigem uma atuação permanente da rede de proteção.

Somente neste ano, o serviço também recebeu 110 encaminhamentos do Ministério Público e outros 75 relacionados a medidas protetivas de urgência expedidas pela Vara Criminal. Números que reforçam uma realidade muitas vezes invisível, mas presente em diversos contextos familiares.

Entre as violações mais frequentemente identificadas estão a negligência e o abandono, seguidas pela violência psicológica, patrimonial, física e sexual. A negligência e o abandono, em especial, costumam ocorrer de forma silenciosa e gradual, tornando-se difíceis de identificar. No entanto, seus efeitos podem ser devastadores, comprometendo a saúde física e emocional, a autonomia e a qualidade de vida da pessoa idosa.

Diante dessas situações, o CREAS atua de forma articulada com o Poder Judiciário, o Ministério Público e demais órgãos da rede de proteção, construindo caminhos para interromper ciclos de violência e garantir o acesso aos direitos previstos em lei. É um trabalho que exige sensibilidade, compromisso e a compreensão de que cada caso carrega uma trajetória única.

Mas o enfrentamento da violência contra a pessoa idosa não é responsabilidade exclusiva dos serviços públicos. É um compromisso que pertence a todos nós. Famílias, vizinhos, amigos e toda a comunidade têm papel fundamental na identificação dos sinais de violência, na promoção do respeito e na realização das denúncias quando necessário.

Neste Junho Violeta, vale lembrar que ninguém merece atravessar essa etapa da vida em meio ao abandono, ao desrespeito ou à violência. Proteger, acolher e valorizar as pessoas idosas é reconhecer a importância de suas histórias, de suas contribuições e de tudo o que representam para a sociedade. Porque cuidar de quem envelheceu é, acima de tudo, um gesto de humanidade — e também uma forma de cuidar da nossa própria história.

Edição n.º 1936

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