Celebrado em 10 de agosto, o Dia Internacional da Superdotação foi instituído em 2011 pelo Conselho Mundial de Crianças Superdotadas e Talentosas, durante um encontro realizado em Praga, na República Tcheca. A data tem como objetivo ampliar a conscientização da sociedade sobre as necessidades das pessoas com Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD), promovendo o reconhecimento de seus direitos e o desenvolvimento de seus potenciais ao longo da vida.

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Embora o tema tenha ganhado maior visibilidade nos últimos anos, especialistas alertam que milhares de crianças, adolescentes e adultos com indicadores de altas habilidades ainda permanecem sem identificação e, consequentemente, sem acesso ao atendimento educacional previsto na legislação brasileira.

De acordo com a doutora Monaliza Haddad, as Altas Habilidades/Superdotação caracterizam-se pelo desempenho significativamente acima da média em uma ou mais áreas, como a intelectual, artística, criativa, de liderança ou psicomotora. Além disso, essas pessoas costumam apresentar elevada criatividade, intenso envolvimento com a aprendizagem e grande dedicação às atividades relacionadas às suas áreas de interesse.

A psicopedagoga Mari Lidia Chempcek destaca que o Paraná concentra atualmente o maior número de estudantes com Altas Habilidades/Superdotação matriculados na educação básica brasileira. Segundo dados do Censo Escolar 2025, são 15.659 estudantes identificados no estado. Apesar de expressivo, esse número ainda está muito distante da realidade estimada pela comunidade científica.

“Os dados revelam avanços na identificação, mas também evidenciam um cenário de invisibilidade. Sabemos que o número de estudantes com altas habilidades é muito maior do que aquele registrado oficialmente”, afirma a especialista.

As estimativas internacionais indicam que entre 3% e 5% da população apresenta indicadores de Altas Habilidades/Superdotação quando consideradas predominantemente as áreas acadêmica e intelectual, conforme o Relatório Marland (MARLAND JR., 1972). Já o pesquisador Joseph Renzulli (2014), referência mundial na área, amplia essa estimativa para 15% a 20% da população quando são consideradas as diferentes manifestações do potencial humano em quaisquer áreas do desempenho.

Esses dados reforçam a necessidade de ampliar as ações de identificação precoce, formação de professores e desenvolvimento de práticas pedagógicas inclusivas, garantindo que estudantes com potencial elevado tenham oportunidades de aprendizagem compatíveis com suas necessidades. Reconhecer as Altas Habilidades/Superdotação não significa oferecer privilégios, mas assegurar um direito previsto na Política Nacional de Educação Especial e contribuir para que talentos possam beneficiar toda a sociedade.

Em Araucária, esse trabalho conta com o apoio do Instituto Aprendizagem e Desenvolvimento (IAD), que realiza avaliação e intervenção junto a crianças, adolescentes e adultos com indicadores de Altas Habilidades/Superdotação. O instituto também oferece mentoria e orientação às famílias, às escolas e às próprias pessoas superdotadas, contribuindo para a identificação, o acompanhamento e o desenvolvimento de seus potenciais.

Mais do que celebrar uma data, o Dia Internacional da Superdotação convida a sociedade a refletir sobre a importância de reconhecer talentos, romper estereótipos e construir uma educação verdadeiramente inclusiva, capaz de acolher as diferenças e promover oportunidades para que cada pessoa desenvolva plenamente suas capacidades.

Mari Lidia Chempcek

Neuropsicopedagoga, Psicopedagoga, Mestre em Educação Inclusiva e pesquisadora na área de Altas Habilidades/Superdotação.

Monaliza Elhke Ozório Haddad

Neuropsicopedagoga, Psicopedagoga, Pós-doutora pela Universidade de Salamanca. Doutora em Educação na Universidade de Évora. Mestre em Educação pela Universidade Tuiuti do Paraná.

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